Lançamento de documentário conta os 10 anos da desocupação de Pinheirinho

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Comunidade chegou a ter 1.800 famílias em área abandonada de São José dos Campos (SP), retiradas com violência pela polícia em janeiro de 2012. Bairro foi erguido quase cinco anos depois

Por Vitor Nuzzi, compartilhado da RBA




Publicado 21/01/2022 – 06h34Reprodução YouTubepinhei20Uma vasta área abandonada foi ocupada em 2004. Quase 2 mil famílias foram retiradas à força. E o local continua abandonado05

São Paulo – Quatro anos e 11 meses separam a destruição total da ocupação do Pinheirinho, em São José dos Campos (SP), da entrega das casas em bairro que ganhou o mesmo nome, em área periférica da cidade do Vale do Paraíba. A história de uma ocupação que durou oito anos e reuniu mais de 6 mil pessoas será contada no documentário Pinheirinho do Palmares: a luta contra injustiças, que será lançado às 19h deste sábado (22), quando serão lembrados os 10 anos da violenta operação de reintegração de posse. E o local segue vazio até hoje.

“Lá se construiu um sentimento de pertencimento, de autoproteção, de família. E esse sentimento construiu uma comunidade”, define Everton Rodrigues, que dirigiu o documentário, com duração de uma hora e 40 minutos. Para ele, Pinheirinho é “o maior exemplo de que o Estado não cumpre a lei”. Muitas vezes “a serviço daqueles que sonegam, que burlam as leis”, acrescenta.

Ele cita o artigo 5º da Constituição, que fala em “função social” da propriedade. Algo que não acontecia no Pinheirinho, uma área abandonada, pertencente à massa falida de uma empresa (Selecta). Além disso, acumulava uma multimilionária dívida de IPTU, tributo que há muito tempo não era pago. Um grupo inicialmente pequeno ocupou o terreno, em fevereiro de 2004, sob organização do Movimento Urbano dos Sem Teto (Must). Em pouco tempo, eram milhares. Quando ocorreu a ocupação, oito anos depois, eram 1.800 famílias.

Um dos objetivos do documentário é questionar o porquê das ocupações, a costumeira “desumanização” de seus moradores. No caso do Pinheirinho, um questionamento adicional: por que o conjunto residencial, que acabou sendo inaugurado em 2016, não se instalou ali mesmo, na área original, que segue abandonada? O bairro Pinheirinho dos Palmares foi instalado em um local distante do centro, quase fora da cidade, e ainda tem muitas carências de serviços e equipamentos públicos. Mas há também uma sensação de alívio, pela conquista de um local para morar, após 13 anos (a partir da ocupação) de total instabilidade: “Hoje, ninguém mais vai arrancar sua casa”. As casas foram construídas por meio do programa, agora extinto, Minha Casa, Minha Vida.

Exibição na internet

A proposta do documentário foi apresentada em março do ano passado. Criou-se um conselho editorial comunitário, e as entrevistas começaram. São pouco mais de 30 depoimentos, sendo 15 de moradores da comunidade – na maioria, mulheres negras, assinala Everton, ele mesmo vindo de uma área de assentamento, na região de Bagé (RS). “Essa relação com a terra é uma coisa que eu sempre tive.”

Amanhã, às 10h, haverá um ato diante do terreno onde ficava a ocupação. Às 17h, o atual bairro Pinheirinho dos Palmares, primeiro será lançado livro do vereador paulistano Eduardo Suplicy, que em 2012 era senador e participou das negociações que chegaram perto de um acordo para solucionar a crise. O filme será exibido a partir das 19h. Quem não puder comparecer ou estiver em outros locais poderão ver o documentário em 5 de fevereiro, também às 19h, pela internet (neste endereço), com cobrança de ingresso de R$ 20, que ser para a compra de um computador e uma filmadora. “Para que as pessoas da comunidade possam produzir seus próprios conteúdos.”

Segundo Everton, a ideia é promover um circuito de exibição do filme. Em periferias, associações, sindicatos. “Esse debate também está à margem do campo progressista”, avalia. “Onde existe o diálogo, o fascismo não se cria.”

Leia mais amanhã sobre a história do Pinheirinho.

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