Lula evita armadilhas de Trump em encontro de 3 horas e arranca trégua diplomática na Casa Branca

Compartilhe:

O encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente Donald Trump terminou sem armadilhas públicas que marcaram reuniões recentes com líderes estrangeiros — e o Palácio do Planalto saiu comemorando o resultado político da visita a Washington.

Compartilhado de Diario do Centro do Mundo




Foto: Donald Trump e o presidente Lula, durante encontro na Casa Branca. Foto: Ricardo Stuckert

A reunião, prevista inicialmente para durar apenas 45 minutos, se estendeu por quase três horas. Só no Salão Oval, os dois presidentes conversaram por mais de uma hora e vinte minutos antes de seguirem para um almoço reservado oferecido por Trump em seu gabinete, gesto interpretado por diplomatas brasileiros como um sinal de distensão.

Desde a chegada de Lula à Casa Branca, a diplomacia brasileira trabalhou para neutralizar possíveis constrangimentos públicos. O brasileiro foi recebido em tapete vermelho pela ala Sul da residência oficial americana, a mesma entrada usada recentemente pelo rei Charles III.

Trump soltou uma nota sucinta. “Acabei de concluir minha reunião com Luiz Inácio Lula da Silva, o dinâmico Presidente do Brasil. Discutimos diversos temas, incluindo comércio e, especificamente, tarifas. A reunião foi muito boa”, disse nas redes sociais.

“Nossos representantes têm reuniões agendadas para discutir alguns pontos-chave. Outras reuniões serão agendadas nos próximos meses, conforme necessário”.

Trump também evitou um de seus gestos mais conhecidos: o aperto de mão “viril” usado para intimidar chefes de Estado. Sem puxões ou encenações diante das câmeras, Lula respondeu com um tapinha no ombro do republicano e um simples “Como vai?”, em cena vista com alívio por diplomatas.

A cena foi para as redes sociais de ambos. Mas o principal movimento para evitar armadilhas veio nos bastidores. A Casa Branca aceitou um pedido do governo brasileiro para impedir a entrada prévia da imprensa no Salão Oval antes da reunião, prática comum nas agendas de Trump e frequentemente usada para constranger aliados e adversários diante das câmeras.

Jornalistas da extrema-direita americana interpretaram com teorias conspiratórias as mais estúpidas.

O pronunciamento conjunto previsto no Salão Oval, palco de diversas armadilhas políticas promovidas por Trump, acabou cancelado. A decisão foi interpretada no Planalto como uma vitória diplomática de Lula, que buscava concentrar a conversa em negociações concretas e evitar o circo costumeiro.

A entrevista coletiva de Lula foi transferida para a embaixada brasileira. Ele conseguiu preservar o encontro de ataques públicos e manteve aberto o canal direto com o presidente americano. Também evitou os seguidores do MAGA, que estavam de tocaia para uma coletiva.

O contexto também favoreceu a postura defensiva adotada pelo governo brasileiro. Trump enfrenta queda de popularidade nos EUA e sofre desgaste interno por causa da campanha militar contra o Irã, contestada até por parte de sua base conservadora.

Na mesa de negociação, os temas eram delicados. Lula levou aos americanos a proposta de cooperação contra o crime organizado, mas rejeitou qualquer possibilidade de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas.

A delegação levou dados sobre o combate ao narcotráfico e insistiu na distinção entre facções criminosas e terrorismo.

O governo brasileiro também rebateu as pressões comerciais dos EUA e contestou novas tarifas contra produtos nacionais. Do lado americano, Trump demonstrou interesse em ampliar acordos ligados à exploração de terras raras, enquanto o Brasil deixou claro que não aceitará o papel de simples exportador de minério bruto e quer processamento industrial dentro do país.

Nos bastidores, porém, a prioridade estratégica da viagem era outra: estabelecer uma espécie de pacto de não ingerência entre Brasília e Washington em meio ao ambiente pré-eleitoral brasileiro.

A avaliação do Planalto é que Lula conseguiu ao menos reduzir o risco de uma intervenção direta de Trump na política brasileira. O temor da diplomacia brasileira continua concentrado na atuação de alas radicais do trumpismo, de big techs e de grupos ultraconservadores americanos que poderiam atuar para desestabilizar o processo eleitoral brasileiro.

O Bem Blogado precisa de você para melhor informar você

Há sete anos, diariamente, levamos até você as mais importantes notícias e análises sobre os principais acontecimentos.

Recentemente, reestruturamos nosso layout a fim de facilitar a leitura e o entendimento dos textos apresentados.
Para dar continuidade e manter o site no ar, com qualidade e independência, dependemos do suporte financeiro de você, leitor, uma vez que os anúncios automáticos não cobrem nossos custos.
Para colaborar faça um PIX no valor que julgar justo.

Chave do Pix: bemblogado@gmail.com

Categorias