O encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente Donald Trump terminou sem armadilhas públicas que marcaram reuniões recentes com líderes estrangeiros — e o Palácio do Planalto saiu comemorando o resultado político da visita a Washington.
Compartilhado de Diario do Centro do Mundo
Foto: Donald Trump e o presidente Lula, durante encontro na Casa Branca. Foto: Ricardo Stuckert
A reunião, prevista inicialmente para durar apenas 45 minutos, se estendeu por quase três horas. Só no Salão Oval, os dois presidentes conversaram por mais de uma hora e vinte minutos antes de seguirem para um almoço reservado oferecido por Trump em seu gabinete, gesto interpretado por diplomatas brasileiros como um sinal de distensão.
Desde a chegada de Lula à Casa Branca, a diplomacia brasileira trabalhou para neutralizar possíveis constrangimentos públicos. O brasileiro foi recebido em tapete vermelho pela ala Sul da residência oficial americana, a mesma entrada usada recentemente pelo rei Charles III.
Trump soltou uma nota sucinta. “Acabei de concluir minha reunião com Luiz Inácio Lula da Silva, o dinâmico Presidente do Brasil. Discutimos diversos temas, incluindo comércio e, especificamente, tarifas. A reunião foi muito boa”, disse nas redes sociais.
“Nossos representantes têm reuniões agendadas para discutir alguns pontos-chave. Outras reuniões serão agendadas nos próximos meses, conforme necessário”.
Encontro com o presidente dos Estados Unidos, @POTUS, em Washington.
— Lula (@LulaOficial) May 7, 2026
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Trump também evitou um de seus gestos mais conhecidos: o aperto de mão “viril” usado para intimidar chefes de Estado. Sem puxões ou encenações diante das câmeras, Lula respondeu com um tapinha no ombro do republicano e um simples “Como vai?”, em cena vista com alívio por diplomatas.
A cena foi para as redes sociais de ambos. Mas o principal movimento para evitar armadilhas veio nos bastidores. A Casa Branca aceitou um pedido do governo brasileiro para impedir a entrada prévia da imprensa no Salão Oval antes da reunião, prática comum nas agendas de Trump e frequentemente usada para constranger aliados e adversários diante das câmeras.
Jornalistas da extrema-direita americana interpretaram com teorias conspiratórias as mais estúpidas.
O pronunciamento conjunto previsto no Salão Oval, palco de diversas armadilhas políticas promovidas por Trump, acabou cancelado. A decisão foi interpretada no Planalto como uma vitória diplomática de Lula, que buscava concentrar a conversa em negociações concretas e evitar o circo costumeiro.
The press conference that was scheduled for 11:15 ET before the bilateral meeting between U.S. President Donald J. Trump and Brazilian President Luiz Inácio Lula da Silva and was subsequently postponed until after the two leaders spoke has now been cancelled altogether. This… pic.twitter.com/HicOAR0Z1s
— OSINTdefender (@sentdefender) May 7, 2026
A entrevista coletiva de Lula foi transferida para a embaixada brasileira. Ele conseguiu preservar o encontro de ataques públicos e manteve aberto o canal direto com o presidente americano. Também evitou os seguidores do MAGA, que estavam de tocaia para uma coletiva.
O contexto também favoreceu a postura defensiva adotada pelo governo brasileiro. Trump enfrenta queda de popularidade nos EUA e sofre desgaste interno por causa da campanha militar contra o Irã, contestada até por parte de sua base conservadora.
Na mesa de negociação, os temas eram delicados. Lula levou aos americanos a proposta de cooperação contra o crime organizado, mas rejeitou qualquer possibilidade de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas.
A delegação levou dados sobre o combate ao narcotráfico e insistiu na distinção entre facções criminosas e terrorismo.
O governo brasileiro também rebateu as pressões comerciais dos EUA e contestou novas tarifas contra produtos nacionais. Do lado americano, Trump demonstrou interesse em ampliar acordos ligados à exploração de terras raras, enquanto o Brasil deixou claro que não aceitará o papel de simples exportador de minério bruto e quer processamento industrial dentro do país.
Nos bastidores, porém, a prioridade estratégica da viagem era outra: estabelecer uma espécie de pacto de não ingerência entre Brasília e Washington em meio ao ambiente pré-eleitoral brasileiro.
A avaliação do Planalto é que Lula conseguiu ao menos reduzir o risco de uma intervenção direta de Trump na política brasileira. O temor da diplomacia brasileira continua concentrado na atuação de alas radicais do trumpismo, de big techs e de grupos ultraconservadores americanos que poderiam atuar para desestabilizar o processo eleitoral brasileiro.







