Por Carlos Eduardo Alves, jornalista
Até o voto na urna, ninguém tem o direito de descansar. É ir para as compras do mercadinho estampando adesivos de Lula, entrar no transporte público e não fugir de nenhum debate que ocorrer etc. Não é mais uma eleição presidencial. É uma disputa que vai moldar o caráter do que o Brasil vai ser.
Em todos os textos deste colunista para o Bem Blogado, remei contra a maioria que apostava cegamente em vitória tranquila de Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro turno da eleição presidencial de 2026. Apontava o favoritismo do petista, mas mantive o tempo todo o alerta sobre o equívoco da previsão mais otimista. Permanece o favoritismo, mas a realidade chegou para os sonhadores; será no laço, com emoção.
Não era preciso ser sabichão para prever a dificuldade. Em outro País, a reeleição de Lula seria mera formalidade. Afinal, um governo com taxas econômicas excelentes, desemprego no chão, estabilidade institucional e tantos outros méritos não teria concorrência. Ocorre que estamos no Brasil e o ódio ao PT e a Lula permanece quase igual ao de 2022.
É bom não esquecer que ganhamos a última disputa ao Planalto por milimétrico 1,8% de diferença. Lula fez muito no terceiro mandato, mas a verdade, gostemos ou não, é que está cristalizada uma divisão política no Brasil. A elite econômica conseguiu, via principalmente à farsa da Lava Jato, difundir até em alguns setores pobres a
mentira que associa a legenda à corrupção. Ainda bem que temos Lula, o maior líder popular da História nacional.
Assistimos, desde as mentiras da Lava Jato, a uma indiscutível ascensão do fascismo brasileiro. Antes, existia do outro lado do rio apenas a direita tradicional, personificada em termos eleitorais pelo PSDB. Os tucanos foram extintos pelos fascistas de Bolsonaro. Não temos mais adversários que respeitavam ao menos um tiquinho das regras (não além de tiquinho, é verdade). Hoje enfrentamos ogros golpistas, milicianos matadores e uma elite que não tem mais vergonha de assumir a associação com o esgoto da Política do Brasil.
A tarefa agora é sim lutar desesperadamente para que a Democracia não seja uma saudade. Se a corja golpista conseguisse ser legitimada pela urna democrática, alguém duvida que o Supremo Tribunal Federal seria quase que imediatamente formado por maioria “terrivelmente evangelica” e corrupta? Que os programas de inclusão social seriam enterrados em nome de um maldito ajuste fiscal tão desejado pelos ricos, imprensa e seus colunistas de estimação? Sim, é o precipício social para a maioria de pobres e aposentados do País. Mas temos como impedir o desastre.
O mundo assiste, lastimavelmente, ao avanco da extrema-direita. Aqui na América do Sul estamos praticamente cercados por ela. O Uruguai, nos últimos anos, foi a gloriosa exceção. Na Europa, comemoramos até triunfos do centro e direita moderada que barram os fascistas. A diferença fundamental é que temos Lula. Sem ele, os facínoras teriam vida boa. Não sabemos se longa (o desastre Milei na Argentina aprofunda seu desprestígio popular), mas boa.
Nunca foi fácil a luta política da esquerda no Brasil, nunca mesmo. Na verdade, passamos a maior parte de nossa triste História na defensiva. Mas agora temos a chance, melhor dizendo obrigação, de defender Lula e, principalmente, o futuro da Democracia e da maioria de pobres e miseráveis da população.
Até o voto na urna, ninguém tem o direito de descansar. É ir para as compras do mercadinho estampando adesivos de Lula, entrar no transporte público e não fugir de nenhum debate que ocorrer etc. Não é mais uma eleição presidencial. É uma disputa que vai moldar o caráter do que o Brasil vai ser.







