Mais de 600 palestinos foram mortos perto de comboios de ajuda humanitária em Gaza, aponta ONU

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ONU responsabiliza majoritariamente Israel pelas mortes; civis buscavam socorro em pontos operados por organização apoiada por Tel Aviv

Por Paulo Emilio, compartilhado de Brasil 247




Foto: Palestinos coletam restos de suprimentos de ajuda da Fundação Humanitária de Gaza, apoiada pelos EUA, em Rafah (Foto: Stringer / Reuters)

247 – Entre os dias 27 de maio e 27 de junho, pelo menos 613 pessoas perderam a vida na Faixa de Gaza nas proximidades de comboios humanitários ou em pontos de distribuição de ajuda administrados pela Gaza Humanitarian Foundation (GHF), uma organização estadunidense com apoio de Israel.

Segundo a agência Lusa, Ravina Shamdasani, porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), afirmou que a organização internacional tem enfrentado dificuldades para identificar com precisão os responsáveis pelos episódios que classifica como assassinatos. No entanto, ponderou que a maioria das mortes está associada à atuação do Exército israelense. “Bombardeia e dispara sobre palestinos que tentam chegar aos pontos de distribuição”, afirmou a porta-voz.Play Video

A representante da ONU destacou que ainda não foi possível determinar quantas dessas mortes ocorreram exatamente nos pontos de distribuição de alimentos ou ao longo do trajeto dos comboios, o que reflete a dificuldade de acesso das equipes de monitoramento às áreas sob ataque. “Talvez nunca sejamos capazes de compreender a dimensão total do que está acontecendo aqui devido à falta de acesso”, lamentou.

As informações foram extraídas de um relatório interno do gabinete do ACNUDH, e os números apresentados foram obtidos a partir de um rigoroso processo de verificação, embora não representem, segundo Shamdasani, a totalidade do quadro. “Os números provavelmente não mostram um quadro completo”, alertou.

Desde o início do atual conflito, em 7 de outubro de 2023, Israel impôs um severo bloqueio à Faixa de Gaza, impedindo a entrada de ajuda humanitária e alimentos, o que agravou dramaticamente a crise civil no enclave palestino. A guerra teve início após um ataque inédito promovido pelo movimento islâmico Hamas ao sul de Israel, resultando na morte de 1.219 israelenses — a maioria civis — segundo levantamento da agência AFP com base em dados oficiais. Na ocasião, 251 pessoas foram sequestradas. Atualmente, 49 permanecem como reféns em Gaza, sendo que 27 delas foram declaradas mortas pelas forças israelenses.

Como retaliação, a campanha militar israelense já provocou a morte de mais de 57 mil palestinos, a maioria civis, segundo informações do Ministério da Saúde do governo do Hamas em Gaza — dados considerados confiáveis pela própria ONU. A atuação das forças israelenses em áreas onde se concentram civis em busca de socorro tem ampliado as críticas internacionais sobre o uso desproporcional da força e sobre o impacto humanitário do conflito.

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