Manifestação em Israel contra a guerra com o Irã:“A polícia estava fora de controle”

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Por Yair Foldes no Haaretz*, via Edward Magro

Mesmo após a “violência insana” da polícia, manifestantes israelenses contra a guerra com o Irã permanecem imperturbáveis




Treze manifestantes foram presos no sábado durante um ato contra a guerra na Praça Habima — uma cena que os ativistas da cidade não presenciavam havia muitos meses.

Mais tarde, naquela noite, dezenas de jovens permaneceram do lado de fora da delegacia da Polícia de Israel, no norte de Tel Aviv, enquanto a advogada Gaby Lasky, que representa os detidos, entrava e saía do prédio para atualizá-los sobre a situação de seus amigos.

Tudo começou algumas horas antes, ainda antes do pôr do sol na praça. Mais de mil manifestantes compareceram ao local, no que foi o maior protesto desde o início da guerra de Israel com o Irã, há um mês.

Centenas de rostos novos se juntaram às dezenas que vinham comparecendo regularmente nas últimas semanas, incluindo alguns ligados a organizações que se opõem à reforma judicial conduzida pela coalizão do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Sangue novo em uma realidade ensanguentada.

Minutos depois de centenas de manifestantes começarem a se reunir, o subcomandante da delegacia local de Tel Aviv, superintendente-chefe Avi Offer, ordenou aos organizadores que dispersassem o ato. A justificativa — repetida dezenas de vezes ao longo das duas horas seguintes — era: “para a própria segurança de vocês”.

Segundo a polícia, os manifestantes colocavam a si mesmos em risco simplesmente por estarem na praça. A corporação afirmou ainda que uma avaliação conjunta com o Comando da Frente Interna concluiu que o protesto era perigoso — mensagem reiterada ao longo da noite pelos agentes.

As orientações dos organizadores para que os participantes buscassem abrigo caso soassem sirenes alertando para a aproximação de mísseis iranianos, bem como a explicação de que havia sob a praça um estacionamento de cinco andares — um dos maiores abrigos antiaéreos de Tel Aviv — não surtiram efeito.

Logo, policiais, forças especiais e agentes da Polícia de Fronteira avançaram sobre a multidão. O que começou com empurrões rapidamente se transformou em violência efetiva: pessoas — incluindo mulheres — sendo jogadas ao chão, além de jornalistas sendo empurrados e agredidos.

Por quase duas horas, em um protesto inicialmente previsto para durar cerca de uma hora, a polícia confrontou os manifestantes. Estes se recusaram a abrir mão do direito de expressar uma posição crítica, especialmente em tempos de guerra. “É como na Cisjordânia”, gritou um manifestante. Outro disse a um agente da Polícia de Fronteira: “Vá proteger a fronteira em vez de ficar aqui”.

Horas depois, dezenas de manifestantes se concentraram diante da delegacia, aplaudindo os amigos que eram gradualmente libertados. O clima, de forma até surpreendente, era de ânimo elevado. A atuação da polícia e a violência dirigida aos manifestantes pareciam ter insuflado nova energia ao protesto — fosse contra a guerra ou contra o governo israelense.

Um dos primeiros a ser liberado foi Itamar Greenberg, que, junto com amigos, vinha protestando na praça quase desde o primeiro dia da guerra. Embora já tivesse sido preso na primeira manifestação do grupo, cerca de três semanas antes, e submetido a uma revista íntima, ele afirmou que os eventos de sábado foram fora do comum. “A violência foi insana, fora de qualquer padrão”, disse. “A polícia me espancou e me sufocou dentro da viatura.”

Kalanit Sharon, do Pink Front — grupo de artistas e performers antigovernamentais vestidos de rosa — também tem ampla experiência em protestos. “Isso me surpreendeu”, disse sobre a conduta policial. “A própria ideia de dispersar todos foi extremamente violenta desde o início. Houve uma escalada: empurrões, arremessos e, em seguida, prisões.”

Ela relatou que sentiu alguém puxando sua mochila e, após ser jogada ao chão, foi levantada e presa por quatro policiais. “Estávamos sobre um abrigo enorme, então não vi motivo para agir assim. É, de fato, o lugar mais protegido — mais do que a minha própria casa”, acrescentou.

Greenberg e Sharon afirmaram acreditar que as ações da polícia no sábado podem marcar uma mudança na dinâmica do movimento. “Este é um momento decisivo. Não sei qual será o impacto, mas não víamos nada assim há meses”, disse Greenberg.

Sharon também afirmou esperar que os protestos cresçam. “Quando não há confiança em quem conduz esta guerra, não se pode permanecer em silêncio”, disse. “Não sou soldado, mas não confio em quem está me conduzindo por esse caminho.

Nós, manifestantes, não concordamos em tudo, mas lutamos por causas comuns — e isso é estimulante. A sensação é de que estão tentando silenciar qualquer crítica. A polícia estava fora de controle.”

Após a liberação da maioria dos detidos, um jovem, vestindo uma camisa branca rasgada, saiu pelas portas da delegacia. Segundo ele, foi preso fora da praça, em uma rua próxima. “Eles jogaram meu amigo no chão e depois vieram para cima de mim. Foi uma violência descontrolada e sem sentido”, relatou. “Isso só faz aumentar a vontade de participar, ao ver tantas pessoas incríveis ali.”

Em resposta, a polícia afirmou que o protesto ocorreu sem coordenação prévia e que os manifestantes se reuniram em violação às diretrizes do Comando da Frente Interna e aos regulamentos de emergência. A corporação acrescentou que um oficial do comando esclareceu haver “risco real à vida humana”.

Segundo a polícia, “um agente declarou a dispersão do protesto, e indivíduos que perturbavam a ordem e não obedeceram às instruções entraram em confronto com as forças de segurança, durante o qual 13 deles foram presos.”

(*) Fundado em 1919, o Haaretz é o jornal diário mais antigo de Israel em circulação contínua. Embora não seja o de maior tiragem, é amplamente considerado o mais influente junto à elite intelectual, diplomática e aos setores progressistas do país.

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