Por Lourenço Paulillo, cronista e poeta de São Paulo
Toda manhã vou percorrer meu jardim. Pode parecer que estará sempre igual, mas não!
Um dia a folhagem está gotejada de neblina, outra vez ela brilha com o sol.
Um dia tem carreira de formiga, outro dia uma joaninha enfeita a samambaia.
Um dia está exalando perfume o jasmim, na manhã seguinte desponta um botão de rosa.
Ontem, folhas murchas da seca, hoje felizes com a chuva da madrugada.
Ontem um serelepe pulando de galho em galho, hoje um beija-flor paradinho, descansando do voar incessante. E as galinhas da vizinha ciscando s folhas secas do chão.
Há alguns dias, debaixo de um ramo, avistei um casulo. Então toda manhã ia vê-lo, e ele estava ali, sempre igual, no mesmo lugar.
Até que certo dia ele se rompeu e dele saiu uma linda borboleta azul. Tímida, insegura, quieta, olhando para a paisagem ao redor.
Na manhã seguinte ela ensaiava seu primeiro voo, e no outro dia, corajosa, lançou-se no ar. Pousou num gerânio, depois numa azaléia e então num girassol. Verdadeira bailarina, a cada manhã mais ligeira.
Anteninhas espertas, curiosa, cada vez voando mais longe.
Mas de manhã estava novamente no jardim, como uma amiguinha querendo me ver.
Um belo dia ela partiu para mais distante e eu não a encontrei mais. Fiquei desapontado, o jardim perdera um pouco da graça, até as flores ficaram mais tristonhas.
Logo pensei: assim como as pessoas, os bichinhos também têm sentimentos, são inteligentes. Até as galinhas se aproximam correndo ao nos verem.
Vai bater a saudade na borboleta! Ela também gostava de me ver no jardim.
Não vou me aborrecer, não vou desanimar. Tenho certeza que onde ela estiver vai se lembrar de mim.
Qualquer dia ela virá me visitar.
E então…vamos brindar, vamos sorrir!
Vamos cantar e dançar!
Em homenagem à amiga Jô, no dia de sua despedida da ONG CCInter Pro Brasil, unidade Martin Luther King, após seis anos de muita dedicação.
Jô adora as borboletas e estas são o tema de suas belas pinturas. Na foto da postagem, uma de suas belas borboletas.







