Mineração que visa lucro acima da vida ‘vai gerar novas tragédias’ e destruir biomas, alertam especialistas

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Para Movimento pela Soberania Popular na Mineração, operação da PF mostra fragilidade no modelo de exploração mineral

Por Adele RobichezJosé Eduardo Bernardes e Larissa Bohrer, compartilhado de BdF




Foto: Mineração predatória ameaça biomas e saúde da população, alerta geógrafo Wagner Ribeiro - Daniel Mansur / Vale

A operação da Polícia Federal que desmantelou um esquema de corrupção na Agência Nacional de Mineração (ANM) revela não apenas a captura de órgãos públicos por mineradoras, mas também a fragilidade de todo o modelo de exploração mineral no país. A avaliação é de Luiz Paulo Siqueira, da Coordenação Nacional do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM), e do geógrafo Wagner Ribeiro, professor da Universidade de São Paulo (USP), em entrevistas ao Conexão BdFda Rádio Brasil de Fato.

Segundo Siqueira, ainda não é possível mensurar a extensão do esquema, que já aponta um prejuízo de R$ 18 bilhões com a extração ilegal de minério e a apreensão de R$ 1,5 bilhão em patrimônio da quadrilha. “A tendência é ter uma magnitude ainda maior do que já foi noticiado pela Polícia Federal e pela mídia”, revela. “Esse modelo de mineração que visa o lucro acima da vida, acima das pessoas, da natureza, vai gerar novos crimes, novos rompimentos, novas tragédias da mineração”, alerta.

O aviso ganha força diante das tragédias recentes da mineração no Brasil, como os rompimentos das barragens da Samarco, em Mariana (2015), e da Vale, em Brumadinho (2019), que deixaram centenas de mortos e contaminaram rios inteiros em Minas Gerais.

Na mesma linha, Ribeiro considera a ação da PF “muito preocupante”. Para ele, o Brasil voltou a se consolidar como uma economia de produtos primários voltados à exportação, tendo a mineração como eixo central. “O segmento repleto de capital internacional separa elementos químicos importantes utilizando, muitas vezes, materiais de alto impacto à saúde, como o mercúrio”, diz.

Os impactos, segundo o professor, muitas vezes recaem sobre comunidades ribeirinhas. “Isso, depois chega aos corpos d’água, é adquirido pelos peixes, que são a base da alimentação da população ribeirinha e que acaba se integrando, muitas vezes, com indicadores de mercúrio no corpo bastante elevados, muito além do que deveria se registrar”, explica.

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