Por Edmundo Aguiar, professor Titular e coordenador de implantação de um Campus de EPCT no Complexo do Alemão
O que o governador do Rio de Janeiro chama de “operação”, nós chamamos de opressão. E isso só contribuiu para mais desgraça e desesperança. E o que a imprensa insiste em chamar de “guerra” é, na verdade, a violação de direitos, com a vida do nosso povo sendo destruída, de todos os lados.
Sou Gestor de um projeto de Educação Profissional e Tecnológica no Complexo do Alemão, e conheço bem aquele povo, cheio de gente trabalhadora, solidária, que enfrenta o dia a dia com coragem, dignidade e esperança. Por isso, o que aconteceu lá, no dia de ontem (28/10/25), e os resultados que estamos vendo hoje, me entristece profundamente.
Ver a comunidade sendo tratada com violência, preconceito e desprezo, tanto pelo poder público quanto por gente ruim nas redes sociais, me fere a alma, porque nenhuma consciência pode aceitar tamanha barbárie.
Confesso que meu coração está despedaçado, de dor e de revolta, porque eu sei que, por trás de cada sirene que soa, cada estampido de tiro que rasga o silêncio, há vidas, famílias, histórias e sonhos interrompidos, tanto de moradores, como de policiais que agem , como disse Vandré: “perdidos de armas na mão”; toda morte é uma tragédia.
Me solidarizo com o povo do Alemão, com cada morador e moradora que resiste, mas principalmente com os que tiveram perdas de vidas em suas famílias. Assim como, com as famílias dos agentes públicos mortos. Todos igualmente choram seus pais, filhos ou companheiros e companheiras.
Que essa dor não se transforme em mais ódio, mas em compromisso com a vida, com a justiça e com a paz. Com a adoção de mais medidas de inclusão, como a que estamos realizando. Com projetos que elevem a cidadania das pessoas e que de fato possam lhes dar perspectivas de uma vida melhor.
Não são essas ações translocadas, pirotécnicos e irresponsáveis que mudarão esse estado de coisa. O que o governador do Rio de Janeiro chama de “operação”, nós chamamos de opressão. E isso só contribuiu para mais desgraça e desesperança.
E o que a imprensa insiste em chamar de “guerra” é, na verdade, a violação de direitos, com a vida do nosso povo sendo destruída, de todos os lados.







