Morro de ternura, trabalho duro e compositores fantásticos perdeu seu glamour para tráfico, milícias e cultos evangélicos

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Por Arcírio Gouvêa Neto, jornalista

Vejam que foto sensacional: reunião da Ala das Baianas da Império Serrano, em 1955. Época em que o morro pertencia aos seus moradores. Época em que ele realmente podia ser chamado de comunidade e todos se ajudavam como podiam. Época em que morar no morro era estar “pertinho do céu” e cada barracão era um poema feito de tábuas e paixão, onde as “tias” mandavam e quem era inteligente obedecia. E se Dona Neuma ou Dona Zica não estivessem satisfeitas com os malandros que passavam dos limites, rodavam “literalmente”, a baiana e eles saiam de fininho pra um canto qualquer.




Época em que o gênio Noel Rosa subia o Morro da Mangueira, despreocupadamente, para visitar o barraco de seu amigo Cartola e ficava lá por três, quatro dias, compondo juntos. Época em que os compositores Orestes Barbosa e Sylvio Caldas compuseram a obra-prima “Chão de Estrelas, que segundo Manoel Bandeira, contém os versos mais bonitos de nossa música popular “Tu pisavas os astros distraida” e Herivelto Martins, outro bamba de nossa música popular, não ficaria atrás e comporia “Ave Maria no Morro”, que ganhou uma antológica gravação do italiano Zucchero Fornaciari.

E a joia de Wilson Batista “Aquele mundo de zinco que é Mangueira/acorda com o apito do trem”. Acho que poderia ficar aqui citando dezenas e dezenas de sambas antológicos que têm o morro como tema, mas fico por aqui ou não acabo esse texto.

Hoje esse morro de ternura, trabalho duro e compositores fantásticos, perdeu seu glamour para o tráfico, as milícias e os cultos evangélicos.

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