Motta pautou “anistia” por emendas não pagas, dizem deputados: “4 cassações e a dosimetria”; ouça

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Deputados do PDT são flagrados falando da negociata de Motta e Sóstenes para aprovar redução de pena a Bolsonaro. Um deles diz que colocar Glauber Braga como “troca” é “absurdo”, mas precisava manter o apoio do MBL.

Por Plinio Teodoro, compartilhado de Fórum




Foto: Hugo Motta com Sóstenes Cavalcante e Paulinho da Força.Créditos: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

Uma conversa entre deputados do PDT após a reunião de líderes nesta terça-feira (9) revela que o presidente da câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), teria decidido colar em votação o PL 2.162/2023 – chamado de PL da Dosimetria que, na prática, busca tirar Jair Bolsonaro (PL) da cadeia – por insatisfação com emendas impositivas que não foram pagas aos parlamentares da oposição até o momento pelo governo Lula.

A conversa flagrada foi divulgada pelo jornal O Globo, que diz que o exaltado era o deputado Leo Prates (PDT-BA), que afirmou que a insatisfação foi levada à reunião pelo líder do PL, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), que teve o comportamento elogiado por Silas Malafaia.

Prates diz aos colegas Mauro Benevides (PDT-CE), Leônidas Cristino (PDT-CE) e outros dois que não foram identificados pelo jornal que o Sóstenes reclamou que apenas 58% das emendas impositivas – que o governo é obrigado a pagar – teriam sido liberadas.

“Você não viu a narrativa de quando veio a pauta (na reunião de líderes)? O Sóstenes disse que pagou 58% das emendas. O Hugo Motta veio e disse: ‘Eu preciso da ajuda para pagar’. Aí o Lindbergh (Farias, líder do PT) e o (José) Guimarães (líder do governo) disseram: “Até 30 de dezembro paga”. Ai veio essa pauta”, afirmou o deputado baiano aos colegas, emendando que “eu sabia que vinha esculhambação”, em relação à “pauta-bomba” que seria colocada para votação. “Ele (Motta) falou: “Ou destrava, ou a Casa não anda”.

Em seguida, os deputados passam a reclamar da data proposta pelos governistas, dizendo que “não vão votar o Orçamento antes de pagar, de 30 de dezembro”, sobre a Lei Orçamentária, essencial para o governo estimar as contas do próximo ano.

“Eu falei não vai votar porra nenhuma, foi dada a data de 30 de dezembro. Eu falei não vai votar merda nenhuma. Foi aí que veio uma pauta-bomba”, diz um dos presentes. “Foi dada a data de 30 de dezembro. Eu sabia que vinha a esculhambação. Eu estava na reunião. Até esse momento eu estava ali”, afirmou.

Em seguida, os deputados revelam os termos da negociação: “São quatro cassações e a dosimetria. Isso é pra trocar. [Alexandre] Ramagem (PL-RJ), [Carla] Zambelli (PL-SP), Eduardo [Bolsonaro (PL-SP)] e o Glauber [Braga (PSOL-SP)]”.

Logo depois, Prates lamenta a colocação de Glauber como moeda de troca na negociata, mas ressalta que votará pela cassação do deputado do PSOL, que sofreu processo por expulsar um provocador do MBL da Câmara, dizendo que o movimento o apoio na Bahia.

“O Glauber é um caso de você tirar o mandato popular, lá tem que ser uma coisa mais grave. Eu só não posso votar com o Glauber abertamente porque o MBL da Bahia me apoia. Então não vou votar porque eles precisam de 257 votos na urna para caçar. Concordo que o Glauber é absurdo. Mas veja, a minha manobra vai ser essa, você entendeu? Para cassar uma pessoa, você tem que botar 257 votos na urna. A obrigação é de quem quer cassar. Se você não votar, você já ajudou”, diz o deputado.

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