Um país se desenvolve quando todos ganham, e não quando se concentra riqueza nas mãos de poucos. O rentismo nacional já lucra demais controlando o dinheiro do Estado brasileiro
Por André Lobão, compartilhado de Fórum
Lula em Fortaleza: O Brasil Pronto Pra Mais", realizado na Praça da Bandeira, Fortaleza - CE. /Imagem: Ricardo Stuckert.
Passada a eleição do 2º turno presidencial que definiu a vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro, fica agora a missão de pressionar o governo reeleito a não ceder às pressões do mercado financeiro e impedir a aplicação de novos arrochos contra os trabalhadores, evitando o aumento da dose do receituário neoliberal na gestão das contas públicas.
No fundo, os mais de 64 milhões de eleitores de Lula desejam que seu governo não passe o “tesouraço”, aplicando políticas de austeridade fiscal que cortam investimentos sociais na Saúde e na Educação, controlando o gasto público e cortando benefícios como Bolsa Família e BPC, além de limitar os ganhos reais do salário mínimo, das aposentadorias e das pensões.
É luta de classe!
O povo brasileiro que votou e deu a vitória a Lula fez isso em um levante popular nas ruas que deixou bem claro: ninguém pode mexer nos seus direitos nem afetar sua qualidade de vida. As pautas pelo fim da escala de trabalho 6×1 e pelo combate às bets mostraram que o brasileiro está preocupado com o seu bem-estar, querendo mais tempo para descanso e lazer, sem se sentir enganado e explorado pela expropriação financeira promovida pelo capital por meio das empresas de apostas.
Flávio Bolsonaro perdeu a eleição por ter escolhido o discurso de colocar nas costas da população a responsabilidade de garantir os privilégios da classe burguesa por meio do rentismo e da especulação.
A preocupação real de grande parte do eleitorado formado pelas classes C e D mostrou que o foco central desses eleitores foi a preservação das políticas públicas voltadas para o Bolsa Família, a valorização do salário mínimo e a melhoria do acesso aos bens de consumo.
A apreensão com o custo de vida e com possíveis mudanças que envolvessem perdas de direitos ficou concentrada na parcela da população que ganha de dois a cinco salários mínimos — no caso, a classe C. Já nas classes A e B, o foco principal ficou na defesa da democracia.
Esses dados foram estratificados em pesquisas do Datafolha realizadas durante o período eleitoral.
Classe média e os pobres deram o recado
Portanto, na hora de analisar o que motivou a vitória de Lula, é necessário estar atento: não foi apenas a defesa da democracia e a contenção do avanço da extrema direita. A classe média e os mais pobres deixaram um recado claro de que não aceitam mais arrochos neoliberais voltados unicamente a garantir os lucros dos mais ricos.
Isso precisa ficar bem nítido para o governo reeleito, para que não caia nas velhas artimanhas do discurso da grande mídia, que insiste em dizer que o Brasil precisa cortar e controlar gastos sociais.
Ganhou a eleição a continuidade do Estado Social e a proteção aos trabalhadores, aposentados e pensionistas. Ganhou o projeto do Estado provedor da Saúde, da Educação e da Segurança Pública. Ganhou o projeto de soberania alimentar e energética que garante comida na mesa dos brasileiros com combustíveis acessíveis. Ganhou o projeto de possibilitar uma vida melhor, com a oportunidade de comprar casa, carro e eletrodomésticos.
É hora de mudar!
Um país se desenvolve quando todos ganham, e não quando se concentra riqueza nas mãos de poucos. O rentismo nacional já lucra demais controlando o dinheiro do Estado brasileiro sob a justificativa da dívida pública. É hora de mudar isso — e o povo deu o recado.
O governo Lula só terá condições de resistir à bancada da extrema diireita e à pressão do mercado financeiro se contar com o apoio popular e a mobilização das ruas, exatamente como aconteceu na campanha eleitoral.







