O futuro do Brasil está nas mãos da esquerda. Da sua capacidade não apenas de reeleger o Lula e eleger seu sucessor, como de formular um projeto pós-neoliberal para o futuro do país.
Por Emir Sader, colunista, na Fórum, compartilhado de Pensar Piauí
Foto: Lula com voluntários da COP30
Bolsonaro está liquidado politicamente. O bolsonarismo sabe que não é maioria no país. O que a direita pode fazer?
Resta o anti-lulismo. Fazer tudo o que pode para atrapalhar o próximo governo Lula, o quarto, com o qual já se conformam. Sabem que Lula deve ter um novo mandato, além de que deve indicar Fernando Haddad para sucedê-lo, como fez com Dilma Rousseff.
Só que, desta vez, não podem contar com o Judiciário para o que fizeram no impeachment da Dilma e na prisão do Lula. Ao contrário, o Judiciário está, agora, do lado da democracia.
Resta o anti-lulismo, em aliança estreita com os meios de comunicação. O prestígio e o apoio que Lula tem atualmente, até mesmo nas pesquisas feitas por órgãos da direita, é um golpe duro para eles, que mal podem aguentar.
Sabem que tem que golpear a imagem do Lula. Buscar supostas escorregões nas falas dele, denúncias sobre parentes, queda eventual nas pesquisas que eles mesmos fazem.
A Quaest colabora em suas pesquisas com perguntas incríveis como, por exemplo: O Lula age de boa fé? O que você acha das infelizes declarações do Lula?
A direita sabe que seu futuro é muito complicado, com esse panorama da força do Lula e do seu eventual sucessor. O Brasil pode ter seu futuro desenhado pela esquerda, com intensificação e extensão das políticas anti-neoliberais, que pode levar o país a uma fase pós-neoliberal.
O Tarifaço foi um presente para o lula, que recuperou a categoria de “soberania”, reaparecendo como o presidente de todos os brasileiros. Enquanto a direita deu um tiro no pé, ao assumir a co-autoria do Tarifaço, fazendo com que aparecessem agindo contra o Brasil, a economia e o povo brasileiro.
Que chances tem o anti-lulismo? Contam com as fofocas da mídia, com eventual – e pouco possível hoje – escorregão do Lula. Um fracasso – que já não se dará – da Cop30. Um fracasso – também já pouco provável – das negociações com os Estados Unidos. Uma recessão da economia brasileira – pouco provável também – ou o surgimento de fatores imponderáveis.
Mas o que resta à direita é isso. Sofreram duras derrotas. Seu eventual candidato, o governador de São Paulo, não se decide.
O futuro do Brasil está nas mãos da esquerda. Da sua capacidade não apenas de reeleger o Lula e eleger seu sucessor, como de formular um projeto pós-neoliberal para o futuro do país.
Este projeto, por sua vez, tem uma grande questão a resolver: apesar das políticas anti-neoliberais dos governos do PT, o capital financeiro, em sua forma especulativa, segue sendo predominante na economia. Um capital que vive das altas taxas de juros, que o governo do Lula, paradoxalmente, mantem e, assim, alimenta essa predominância.
O futuro do Brasil depende mais da resolução dessa complexa questão que da disputa com a direita.







