O assassino e as palavras

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Por Ateliê Squeff – 

Talvez não haja relação de causa e efeito entre o ato do suicida assassino que matou doze pessoas em Campinas e o discurso de ódio hoje em vigor no Brasil. Suas palavras de despedida ou a sua confissão, como se queira, não mentem, São em gênero, número e grau as mesmas dos que saíram à ruas a bradar por um país sem o PT, o “abaixo Dilma”, berrado com rancor, mas também com o ódio incontido aos políticos de um modo geral, e aos pobres ou beneficiários das políticas do PT em particular; só faltava um ou outro apelo a uma “solução final”. que, sem a escabrosidade gen ocida dos nazista, acabou indiretamente acontecendo.

Dilma, afinal, caiu. Agora, porém, o silêncio. Ao que parece, o mundo sem o PT, àquilo tudo que lhes demandava a abominação cega. resultou no pior: mais de um dezena de ministros a responderem processos de vários tipos, mas principalmente por corrupção e a acusação de corrupto sobre o próprio presidente. 

O assassino de Campinas em sua mensagem repetiu ipsis literis o discurso coxinha. Dizer, por aí, que as palavras fazem o monstro – e não o monstro as palavras, pode ser verdade in extremis um dia. Mas nem se pode deduzir que todo o coxinha seja um assassino suicida em potencial; nem que alguém que não repita o discurso do ódio não possa transmudar-se, de repente, de cidadão pacato em assassino. Mas há uma franquia pública ao discurso preconceituoso, racista, misógino e fratricida. Dilma caiu também por isso. Era, ainda que escamoteado, exatamente esse o palavrório da mídia hegemônica.

Não é preciso repetir as manchetes dos jornais, ou o noticiário da TV e do rádio. Basta rememorá-las e compará-las às faixas levantadas pelos manifestantes pró impeachment dos idos de agosto. Aliás, o próprio sistema judicial que supõe o direito de defesa foi e vem sendo posto em xeque, com risos escancarados e cúmplices dos comentaristas. Tornou-se aceite que alguém diga, sobre a prisão de políticos que os carcereiro deveriam trancafiá-los e jogar a chave fora. Ódio, ódio e mais ódio.




Em suma. Não foram as palavras que montaram o assassino de Campinas para seus crimes em que se incluem tirar a própria vida, mas elas lhe serviram à feição. E não foram tirados de qualquer repertório dos que defenderam e defendem a democracia contra os malfeitos, inclusive jurídicos, da assim chamada república de Curitiba.

Quando às palavras se juntam aos atos. como os que coonestam as prisões arbitrárias, as acusações sem provas e a seguir, o desvario do ódio, que resulta na morte de uma criança, tudo é possível. O resto são as palavras que justificam os assassinatos, como se fossem justificáveis.
Enfim…

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