O avanço da soja sobre o Pampa acelera a extinção do gaúcho

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Ao causar prejuízos ambientais, os grandes desertos verdes trazem riscos à economia, além de deteriorar a cultura baseada na pecuária familiar

Por Elstor Hanzen e César Fraga, compartilhado de Extra Classe




A parte brasileira do bioma Pampa – que ocupa 63% do Rio Grande do Sul (176.496 km²) – perdeu mais de 3,3 milhões de hectares de vegetação nativa nas últimas quatro décadas, fenômeno que se acelerou do ano 2000 em diante. O motivo principal é o avanço vertiginoso das monoculturas de soja e da silvicultura (eucalipto e acácia) sobre áreas antes ocupadas principalmente por pastagens nativas. Os territórios atingidos equivalem a 66 vezes a área do município de Porto Alegre. Trata-se do maior índice de perda de biodiversidade na comparação entre Argentina, Brasil e Uruguai nesse período. Os dados foram extraídos do último relatório do MapBiomas Pampa Trinacional, que monitora o uso e a cobertura da terra na região.

De acordo com Eduardo Velez, pesquisador do MapBiomas, nos últimos dez anos, a perda da vegetação campestre vem aumentando, configurando um cenário ambiental e uma tendência para os próximos anos muito preocupante.

A conversão de campo em grandes lavouras provoca a extinção local de espécies e o comprometimento de importantes serviços ecossistêmicos, como o controle da erosão e a regulação do ciclo da água. “Faltam políticas públicas dos âmbitos federal, estadual e municipais para evitar este avanço”, lamenta.

Na sua visão, como observador na região, como grande parte da área do Pampa é privada e não havendo políticas de fomento para manutenção das atividades sustentáveis, caso da pecuária de extensão e do turismo ecológico, os proprietários das terras acabam cedendo às leis de mercado e optando por atividades de maior rentabilidade de curto prazo, mesmo que não sejam sustentáveis a médio e longo. Ele defende que a pecuária do Pampa, diferentemente da praticada em outros estados, não emite carbono, nem causa desmatamento, pois pode ser praticada em campo nativo.

“A comida do gado é grátis”, argumenta o pesquisador. Além disso, a região vem sofrendo uma mudança cultural gradativa. “O gaúcho só é gaúcho por causa da lida campeira e que tem uma relação direta com o gado. Isso se reflete na música, na indumentária, na poesia, na gastronomia. Então, veja quanta coisa é posta em risco.”

O neoextrativismo e a reconfiguração do agro

O avanço da soja sobre o Pampa acelera a extinção do gaúcho

Uma das razões desse crescimento da soja na região tem a ver com o fato de que a soja é uma das commodities de exportação mais beneficiadas pela Lei Kandir (1996), que desonerou as exportações de bens primários e semielaborados do pagamento de ICMSFoto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

O professor dos centros de Pós-Graduação em Sociologia e Desenvolvimento Rural da Ufrgs Paulo Niederle vem de uma família de produtores de soja. “Cresci com uma lavoura que chegava na porta da minha casa. É muito difícil para mim e para todos que cresceram com esta imagem da soja como modelo de progresso aceitar a ideia de que este grão pode acabar com a economia gaúcha, talvez brasileira.”  É o que ele enxerga no rosto dos filhos de agricultores que chegam todos semestres às suas aulas na universidade federal.

Segundo ele, a reação da maioria é de absoluta incredulidade. “Ora, quem ousaria afirmar que a soja, que supostamente ‘sustenta a agricultura do estado’, poderia ser, na verdade, o problema e não a solução?”

Para Niederle, uma das razões desse crescimento da soja na região tem a ver com o fato de que a soja é uma das commodities de exportação mais beneficiadas pela Lei Kandir (1996), que desonerou as exportações de bens primários e semielaborados do pagamento de ICMS. Isso faz com que o estado acumule uma perda de arrecadação de quase R$ 50 bilhões. Esse valor equivale a mais da metade da dívida do estado com a União, que é em torno de R$ 92,8 bi, em valores de 2023.

Outro ponto é que, como efeito da expansão da soja, aumenta a vulnerabilidade dos agricultores diante das oscilações do mercado internacional e dos fenômenos climáticos (agravados pelo aquecimento global). Isso sem contar que ela ocupa o espaço de produtos de maior valor agregado, repercutindo na redução do potencial de crescimento econômico.

“Na mesma extensão de área, o cultivo de soja tem rendimento econômico inferior a vários produtos agrícolas. No entanto, o que se vê em toda parte são agricultores vendendo as vacas, arrancando os pomares e retirando até mesmo suas casas para plantar soja. Não impressiona, portanto, o aumento do preço dos alimentos nos supermercados, sobretudo das frutas, verduras e legumes”, explica.

Na semana em que Niederle conversou com a nossa reportagem, ele havia visitado os municípios de Canguçu e São Lourenço do Sul. E algo que mais o impressionou foi o avanço da soja nesses dois lugares, que, tradicionalmente, não eram produtores de soja, mas de fumo. “Canguçu perdeu uma quantidade expressiva de agricultores e de população rural de acordo com o último censo”, afirma.

O sociólogo considera evidente que o problema não é só da soja, mas também de uma estratégia adotada pelo país de caráter “neoextrativista”, totalmente ancorada na apropriação e exploração de recursos naturais.

“A gente utiliza os nossos recursos para exportar um produto com baixo valor agregado e, embora os agricultores consigam por conta de ganhos imediatos na produção de larga escala a um valor considerável, a verdade é que temos utilizado nossas terras, nossos recursos naturais para produção de uma commodity que, na comparação com outros produtos com maior valor agregado, é uma péssima estratégia econômica”, avalia. Com a instabilidade da geopolítica internacional, segundo ele, pode ser uma opção muito arriscada.

O avanço da soja sobre o Pampa acelera a extinção do gaúcho

A parte brasileira do bioma Pampa perdeu mais de 3,3 milhões de hectares de vegetação nativa. O motivo principal é o avanço vertiginoso das monoculturas de soja e da silvicultura (eucalipto e acácia) sobre áreas antes ocupadas principalmente por pastagens nativas.Foto: Igor Sperotto

“Nossos agricultores e pecuaristas, que, tradicionalmente, estavam envolvidos com outras atividades, estão arrendando suas terras e deixando de trabalhar com gado. Obviamente, isso gera um efeito na própria identidade das famílias gaúchas. A identidade destes gaúchos e gaúchas vai se reformatando”, explica.

Conforme Niederle, quando se perdem alguns elementos básicos da relação do gaúcho com a terra, com os animais, com um modo de vida, se introduz um mundo completamente novo de relações culturais e econômicas. Ocorre uma erosão de vários elementos da nossa identidade.

“Mas isso não é específico da soja, mas se encaixa, ao meu ver. Existe um movimento mais amplo, já em relação ao aspecto político de reconfiguração do agro como um movimento que tenta reconfigurar na sociedade a antiga visão do agro como elemento de atraso para torná-lo mais moderno, pelo menos essa é a narrativa. É um conjunto de expressões de poder econômico, de riqueza, que tem reconfigurado profundamente a visão da sociedade”, elabora.

É o que testemunhou o escritor, jornalista e dono de uma pequena criação de cavalos, Renato Dalto. Ele é natural da Região da Campanha e recorda que na estância onde passava todas as férias na infância, com aproximadamente mil hectares, em Santana do Livramento, na fronteira com o Uruguai, além de meia centena de cabeças de gado nas pradarias, havia peões, rodas de mate e os trabalhos de marcação e nas mangueiras (estruturas de madeira para contenção dos animais).

“Hoje, a soja está no parapeito da janela onde eu dormia. Quando se olha para o horizonte, é só soja por todos os lados”, declara Renato.  Ele conta que, ao tentar fazer o caminho antigamente percorrido entre a estância e a vila rural mais próxima, precisou parar. “Duas vezes eu tentei ir até à Vila Santa Rita pelo caminho que eu fazia a cavalo. E eu parei no meio do caminho porque, emocionalmente, não suportei cavalgar na trilha cercada de lavouras de soja”, relata com a voz embargada.

O paraíso da soja

O avanço da soja sobre o Pampa acelera a extinção do gaúcho

Itamar Rigon, produtor rural em Dom PedritoFoto: Acervo PessoalItamar Rigon, produtor rural em Dom Pedrito

Entre 2000 e 2017, as regiões Sudoeste e Sudeste do RS, que compreendem grande parte do bioma Pampa, abarcavam 861.601 de hectares de lavouras de soja, crescimento de 484% no período. Em 2000, eram 178.200 hectares cultivados com o grão. Já em 2017, o número chegou a 1.039.801. Os dados são da Produção Agrícola Municipal (PAM/IBGE).

Dom Pedrito integra a região do Pampa e vivencia a transformação. Quem testemunhou tudo é o engenheiro agrônomo e chefe do escritório da Emater no município, Walney Lucas Moreira. Natural dessa cidade, entrou em 1990 como técnico na Emater. Antes, era empresário do agro. “Venho acompanhando a transformação dos dois lados. A matriz produtiva era bovina e ovino de corte, carne e lã. Nos anos 80, entrou pouco do plantio de arroz e trigo, mas pela genética da semente e o clima, não se adaptou”, lembra. Na mesma década, a cooperativa de Ijuí, Cotrijuí, veio para a cidade e incentivou o plantio da soja, que se adaptou muito bem à região. “Solos escuros, boa fertilidade, a cultura da soja.”

Moreira ratifica que a explosão da soja se deu nos últimos 15 a 20 anos. “Antes, por volta de 1993, só três mil hectares de soja plantados por causa da cotação internacional, que não era boa”, conta. Agora, há 165 mil hectares plantados, o que confere ao município o maior PIB agrícola do RS.

Quem foi atraído por essa locomotiva dos grãos, ou commodity agrícola, é o aposentado Itamar Rigon, 68 anos. De Ronda Alta, ele se mudou para Dom Pedrito, há seis anos, e acompanha a multiplicação das lavouras. “É um mundo a perder de vista as plantações aqui, a dois quilômetros da BR 293, onde tenho minha propriedade”, conta. Atualmente, é dono de 21 hectares onde cultiva soja e pastagens de inverno. Na entressafra da soja, explica que aluga o pasto para grandes pecuaristas da região por 100 dias para 30 cabeças de gado, faturando R$ 400 por cabeça. “Sou pequeno produtor perto da maioria da região, então a gente se vira como pode”, justifica.

À sua volta, só vê modernas máquinas trabalhando, com ar-condicionado, em 50 mil, 60 mil hectares. Rigon afirma que todos migraram da pecuária para a produção de soja, milho e arroz porque dá mais retorno financeiro, inclusive para ele, que planta em pequena propriedade, comparado às demais do município.

Cada vez mais raro gaúcho pecuária na redondeza, o vizinho de frente a Itamar Rigon, chega a ser uma exceção. “Mas ali quem cuida da propriedade e do gado é um capataz, o dono mal aparece, duas três vezes por ano, para colher os rendimentos”, relata Rigon.

“O que me marcou mais durante esse tempo foi o impacto e o avanço da tecnologia. Partiu-se de uma agricultura manual e mecânica. Hoje, a eletrônica e a internet tomaram conta e, até, a inteligência artificial. E a engenharia genética da semente também mudou bastante”, sintetiza o engenheiro agrônomo Walney Moreira.

A pecuária ainda resiste em pequenas ilhas

O avanço da soja sobre o Pampa acelera a extinção do gaúcho

Foto: Fernando Kluwe Dias/GOV-RS

Distante a mais de 300 km de Porto Alegre e a 100 de Dom Pedrito, no interior de Lavras do Sul, a família Camargo resiste à cultura do grão. Na região da Mantiqueira, Amilton Camargo, 38 anos, trabalha com pecuária de corte, bovinos ou ovinos, em uma área de seis hectares.

A paisagem do lugar onde vive com a esposa é uma mistura de campo e mato, com o gado pastando o capim natural. Camargo conta que a população local não tinha a visão de valorizar a pecuária e a preservação da natureza, o que, em geral, facilitou e acelerou a transição para a produção de soja no Pampa. Entretanto, Camargo relata que algumas ações contribuíram para a resiliência de Lavras do Sul.

“A gente começou a visitar os moradores, com apoio do sindicato e da Fetag, para mostrar a importância desta atividade. Inclusive, ficou claro que a preservação nativa do campo deixa a produção menos dependente do clima. As secas, por exemplo, afetam muito nossa região, mas, quando tem mais campo nativo, a recuperação é bem mais rápida”, compara Camargo. “Aqui, 90% é de agricultura familiar, a gente chama de pecuária familiar. E se comparar à média de produtividade de grandes propriedades, a nossa não fica pra trás”, completa.

O produtor se refere ao projeto “Recuperação de Biomas” da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag-RS), uma iniciativa para reconstrução do Pampa. Graças às ações assim e à mudança na consciência da população, dos 160 mil hectares de área total no município, apenas 40 mil são destinados à agricultura, segundo o Sindicato Rural de Lavras do Sul.

Parceiro de Camargo na trincheira da pecuária sustentável, Anderson Soares Ribeiro, 35 anos, é jornalista e pecuarista familiar no Rincão dos Soares, 1° distrito de Lavras do Sul. Ele explica que trabalha com seis piquetes rotativos. “Buscamos trabalhar com diferimento do campo nativo, dando tempo de descanso ao campo. Fico com os animais 10 dias em cada piquete, ou seja, o primeiro fica praticamente 60 dias descansando.”

Conforme ele, o piqueteamento, além de propiciar reserva de comida aos animais, também ajuda a criar um banco de sementes nativas. O produtor afirma que a pecuária familiar na região é forte: “Temos uma das melhores carnes do estado. Mesmo com a estiagem, não podemos reclamar. Nossos animais estão bem e com escore corporal bom.”

Além do crescimento

Atílio Ibargoyen, pecuarista em Santana do Livramento e dono da Fazenda Palomas

Atílio Ibargoyen, pecuarista em Santana do Livramento e dono da Fazenda PalomasFoto: Acervo Pessoal

“Aqui não se busca só crescimento, mas também desenvolvimento”, enuncia o engenheiro agrônomo Atílio Ibargoyen, pecuarista em Santana do Livramento e dono da Fazenda Palomas. Aos 71 anos, nascido e vivendo até o momento no Pampa, ele explica que o desenvolvimento regional dos municípios, que visa à distribuição de riquezas e ao bem-estar, não está melhor do que há 50 anos, enquanto o crescimento econômico do PIB da região não parou de se multiplicar. “O asfalto chegou em muitas cidades em 50 anos para as carretas de carga escoarem a produção das riquezas. Infelizmente, o desenvolvimento e a melhoria da vida dos moradores não acompanharam o mesmo ritmo.”

Por isso, Ibargoyen escolheu outra direção para a produção na sua fazenda de 180 hectares. Nunca deixou a pecuária de lado para produzir só soja, como a maioria à sua volta. Pelo contrário, hoje trabalha com o sistema de produção que integra lavoura, pecuária e floresta, assim denominado por ele. “Crio 300 cabeças de gado e outras 300 de ovinos, preservando a mata e o pasto natural. Só produzimos uma parte de soja para aumentar a pastagem de inverno, assim a pecuária se torna mais sustentável. Também respeitamos o modelo de revezamento, que prevê o uso da terra de cinco anos para a pecuária e três para a lavoura, por exemplo. Para diversificar mais ainda, atuamos com ecoturismo”, narra. Ao finalizar, acrescenta: “O grande problema para a terra e ao meio ambiente é a monocultura da soja”.

O pecuarista e diretor comercial da GAP Genética, João Paulo Schneider (Kaju), assegura que a melhor forma de preservar o bioma Pampa é a pecuária. Ele tem fazenda em Uruguaiana e trabalha de forma integrada lavoura e pecuária. De acordo com ele, há cerca de 12 milhões de cabeças de gado hoje na região da fronteira, número que não vem mudando nos últimos tempos. “Para a pecuária extensiva, o ideal seria um hectare por cabeça. Hoje, no entanto, essa área está reduzida pela metade”, esclarece.

Sobre a Alianza del Pastizal, que integra a produção agropecuária entre RS, Argentina, Paraguai e Uruguai – com a finalidade de buscar mais eficiência e harmonia com o bioma Pampa –, Kaju diz que não há muitas diferenças entre os países. Pelo contrário. “Muito parecidos, principalmente se comparado com o Uruguai.”

Essa aliança nasceu em 2006 e tem o objetivo de integrar o desenvolvimento do Pampa com a conservação da biodiversidade, proteger o ecossistema terrestre mais ameaçado do planeta, que são os campos nativos (pastagens naturais). Esse ecossistema é predominante no bioma Pampa sul-americano, compartilhado pelo Paraguai, Uruguai, Argentina e Brasil.

A iniciativa integra 290 produtores, organizações ambientais, universidades, centros de pesquisa, governos, técnicos, associações de produtores, instituições de fomento e abrange 38 municípios.

“O bioma Pampa, por tradição, é uma região de produção pecuária, que foi base para o desenvolvimento econômico da região e da cultura local”, destaca o portal da Alianza del Pastizal.

Para o engenheiro florestal da Emater Carlos Eduardo Suertegaray, nascido no Alegrete e residindo em Bagé, tal transformação era inimaginável no século passado. “Aquelas imensas áreas de pecuária, tipicamente do Pampa, hoje são ocupadas por grãos e empresas ligadas ao setor. Isso mudou completamente nossa realidade”, confirma Suertegaray.

Uberização do campo e o uso perverso do solo

Os riscos ficam totalmente por conta do produtor, enquanto todo o sistema fatura com a commodity: os bancos ganham nos financiamentos, uma vez que a monocultura é extremamente dependente de tecnologia e de insumos agrícolas produzidos pelas grandes empresas do setor

Os riscos ficam totalmente por conta do produtor, enquanto todo o sistema fatura com a commodity: os bancos ganham nos financiamentos, uma vez que a monocultura é extremamente dependente de tecnologia e de insumos agrícolas produzidos pelas grandes empresas do setorFoto: Luiz Magnante/Embrapa

O pesquisador da Embrapa, em Bagé, Marcos Borba, afirma que, ao optar pela monocultura da soja, o estado está abrindo mão do fluxo hidrológico, da infiltração de água no solo e perdendo fertilidade desse solo, sem falar na redução da diversidade de espécies, o que ganha relevância em um contexto de transição climática.

“Mas isso parece não entrar na tomada de decisão das pessoas que visam à lucratividade a curtíssimo prazo. Ou seja, a médio e longo prazo, essa opção do uso da soja pode trazer prejuízo, inclusive econômico, porque ele diminui as possibilidades futuras dessas localidades”, alerta.

Segundo ele, o que ocorre hoje é um processo semelhante ao dos motoristas de Uber. Os riscos ficam totalmente por conta do produtor, enquanto todo o sistema fatura com a commodity: os bancos ganham nos financiamentos, uma vez que a monocultura é extremamente dependente de tecnologia e de insumos agrícolas produzidos pelas grandes empresas do setor.

“O arrendamento é a transferência da responsabilidade sobre o uso e o manejo do solo para alguém que tem única e exclusivamente o interesse econômico produtivista. Ou seja, não tem nenhum vínculo e nem nada que lhe estimule a adotar práticas conservacionistas, porque, como não tem vínculo com esta terra, ele simplesmente pode intensificar o seu uso. E se houver qualquer risco de exaurir esta terra, ele simplesmente troca para outra. Há uma relação de certa perversidade nesse tipo de uso da terra. É entregar o uso da terra para alguém que não tem nenhum vínculo com ela, a não ser a sua exploração comercial”, conclui.

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