Por Julio Benchimol Pinto, advogado
O Brasil acordou com mais um capítulo da telenovela Os Herdeiros do Mito: Crise na Firma & Milagre no Marketing.
Michelle Bolsonaro, que já foi tratada como “carta na manga”, agora virou cartório moral da família: só entra na campanha de Flávio se os meninos pedirem desculpas em público. No clã que passou anos ensinando o país a gritar, pedir desculpas virou prova de alfabetização civilizatória.
Enquanto isso, Flávio – o candidato produzido em laboratório para parecer menos Bolsonaro – resolveu elogiar o Bolsa Família. Sim, aquele programa que a direita demonizou como fábrica de vagabundos agora virou “estabilidade para quem passou fome”. Nada como uma pesquisa ruim para produzir sensibilidade social instantânea. É o humanismo de planilha: compaixão com data eleitoral.
Para dar verniz econômico ao improviso, chamaram Daniella Marques. Tradução: botaram perfume técnico no bode ideológico.
Do outro lado, Lula chega ao G7 para discutir tarifa com Trump e conversar com Macron. Política externa, comércio, geopolítica. Coisa de presidente. Enquanto uns tentam negociar o Brasil no mundo, outros tentam negociar um pedido de desculpas dentro de casa.
E ainda tem Dark Horse, o filme do Bolsonaro: Nunes Marques não entrou no mérito, ficou na preliminar. Até a Justiça parece dizer: “isso aí eu deixo para a crítica de cinema ou para o eleitorado com estômago forte”.
Resumo da ópera: o bolsonarismo quer posar de moderado, social, institucional e economicamente responsável, mas rebranding não faz milagre. Maquiagem em poste não vira farol.







