Por Julio Benchimol Pinto
O bolsonarismo passou quatro anos cuspindo na Lei Rouanet. Quatro. Inteiros. Chamaram artista de parasita, chamaram cultura de mamata, chamaram dinheiro público de “esmola pra comunista”.
E agora… tcharã! Descobrimos que a cinebiografia do mito – o épico Dark Horse, também conhecido como O Mártir Imaginário – foi financiada com a criatividade que só o submundo administrativo produz: R$ 12 milhões vindos de um contrato da Prefeitura de São Paulo pra instalar wi-fi em comunidades carentes, que acabaram numa produtora ligada ao filme.
Wi-fi para pobre? Não, meus amigos. Wi-fi para Caviezel interpretar Bolsonaro.
A cereja? O beneficiário do repasse é um homem preso por espancar a esposa minutos antes de ela cair do 10º andar e morrer, segundo investigação. A “família tradicional” dando show de novo.
E tudo isso enquanto a tropa dizia que a Rouanet era “roubo”, “mamata”, “safadeza com dinheiro do povo”. Pois bem: a mamata não acabou.
Ela só mudou de fantasia – agora tem sotaque de Hollywood, ator de Jesus e orçamento de blockbuster pago com verba pública de serviço básico.
O Brasil é tão surreal que, no mesmo filmes em que o Bolsonaro tenta posar de mártir, quem acaba no papel de trouxa é o contribuinte. O mito virou cinema; o dinheiro público virou ficção científica; e a hipocrisia virou o gênero audiovisual oficial do bolsonarismo.
Se isso não é Rouanet gospel-miliciana de luxo, não sei mais o que é.”
Foto do post: imagem postada pelo senador |Humberto Costa (PT) em 07 de janeiro de 2025, com o seguinte texto: “Bolsonaro é um mentiroso. Disse que Ainda estou aqui ganhou recursos da Lei Rouanet. Mas as regras vedam apoio a longas de ficção. Bolsonaro não tem compromisso com a verdade. Vive de mentira. E de saudade da ditadura cuja torpeza o filme escancarou para o mundo. É um derrotado.”






