O Brasil Precisa se Indignar. A luta não pode parar

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Por René Ruschel, jornalista

As manifestações marcadas para domingo, 14, têm um significado que ultrapassa a rotina dos atos políticos. Em momentos decisivos da história, grandes multidões nas ruas alteraram destinos nacionais.




Foi assim na queda do regime de Hosni Mubarak, no Egito, em 2011, e na transição democrática da Coreia do Sul em 1987, quando a pressão popular forçou o governo a convocar eleições diretas.

E foi também assim no Brasil, quando nos anos 1980 a mobilização das ruas retomou o caminho da democracia e pressionou pelo fim da ditadura militar.

A presença massiva da sociedade tem força para reposicionar o rumo de um país e o Brasil, neste momento, precisa demonstrar que não aceita a escalada de retrocessos conduzida por um Congresso que atua de forma descolada do interesse público.

A oposição, especialmente os parlamentares alinhados ao ex-capitão, tenta impor um modelo de poder que se apresenta como democrático apenas na aparência.

O Congresso funciona, as sessões ocorrem, mas a intenção é clara: aprovar leis que blindam seus aliados, preservam privilégios e abrem caminho para deformar, pouco a pouco, os pilares da ordem democrática.

Trata-se de um método de golpe adaptado ao século XXI que dispensa tanques nas ruas e se articula nos gabinetes, longe dos holofotes, na calada da noite como ficou evidente na aprovação apressada da PL da Anistia nesta semana.

Golpes hoje se constroem na sombra, enquanto discursos de normalidade tentam mascarar a ruptura.

Por isso as manifestações de domingo ganham relevância. Não se trata apenas de ocupar as ruas, mas de afirmar que a sociedade não aceitará que o país seja conduzido por forças que trabalham para relativizar crimes, ameaçar direitos e enfraquecer instituições.

A democracia não se sustenta sozinha. Exige vigilância permanente e, sobretudo, participação ativa da cidadania.

O povo precisa mostrar sua indignação e reforçar o apoio ao Supremo Tribunal Federal, guardião da Constituição e, hoje, o principal contrapeso institucional capaz de frear aventuras autoritárias.

Em momentos de tensão é fundamental que a Corte saiba que a sociedade está ao seu lado na defesa da legalidade.

Domingo será um dia de afirmação democrática. A história mostra que, quando a população ocupa as ruas para proteger suas liberdades, nenhum poder consegue permanecer intocado.

A luta não pode parar.

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