O Golpe Militar de Primeiro de Abril

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Via Graça Lago, jornalista

31 de março, véspera da data do golpe empresarial-militar de 1964, publico o depoimento de um homem de 93 anos, cuja memória e força permanecem intactas, resistentes. Cavalcante viveu cada minuto dessa História. A ele e a todos os resistentes – os que morreram e sobreviveram, minhas homenagens.
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Por E. P. Cavalcante, capitão de mar e guerra, reformado do Corpo de Fuzileiros Navais. Pesquisador da história militar.


“O golpe militar de 1964 leva a marca do primeiro de abril. Foi nesta data, primeiro de abril de 1964, que os generais e coronéis deram uma punhalada pelas costas no Presidente João Goulart.

Os golpistas mudaram a data para 31 de março, pois o primeiro de abril é o dia da mentira, na tradição popular.

Os golpistas só se envergonhavam da data! E apelidaram o golpe de revolução de 31 de março, a redentora, uma patacoada!

O comandante-em-chefe do golpe foi o embaixador dos EUA, Lincoln Gordon.
Esse embaixador Lincoln Gordon vivia dando entrevistas acusando o Presidente
João Goulart de estar levando o Brasil para o comunismo. Uma gravíssima acusação à época, pois estávamos em plena Guerra Fria!

Gordon dividiu a conspiração em duas frentes. A frente interna dirigida, pelo general Golbery do Couto e Silva, e a externa, comandada pelo adido militar da embaixada ianque, coronel Vernon Walters.

O coronel Walters dominava o português sem qualquer sotaque. E era amigo e companheiro de conspiração de diversos generais brasileiros. Entre eles, Castelo Branco, com quem traçou a arquitetura do golpe no Brasil, a quatro mãos.

No fim da tarde de primeiro de abril, com o golpe consumado, os golpistas gritaram vitória! Uma vitória, sem derramamento de sangue, fora conseguida, propalavam.

E até parecia.
Uma parte da esquerda pretendia conciliar e conviver pacificamente com o governo golpista. Mas, por outro lado, havia muita indignação e o propósito de resistir ao regime militar!

A resistência começou com atos de protestos pacíficos, músicas de protesto e atos públicos com grande participação popular.

O protesto pelo assassinato do Estudante Edson Luiz e a marcha dos 100 mil foram grandes movimentos de massa contra o regime!

Na tentativa de reprimir os protestos, o governo golpista apelou para a legislação de exceção, com o Ato Institucional.
Este ato foi o primeiro e não levou número. Não existe o Ato Institucional de número 1.

Por força do Ato Institucional, dezenas de milhares de brasileiros perderam os seus empregos e cargos, e a instabilidade se fez presente. Uma tragédia!
Os intelectuais eram o alvo predileto!

Livro é coisa de comunista! Berrou a ditadura. Editoras, livrarias e escritores passaram a ser vigiados. Professores, e estudantes, eram enquadrados em crime político!

Quem não fosse a favor da ditadura militar, era considerado inimigo, até prova em contrário.

Expulsas dos seus empregos e perseguidas pela repressão política, muitas famílias ficaram à beira do desespero!

Castelo Branco foi posto na presidência da república, por obra do embaixador Lincoln Gordon e do adido militar da embaixada coronel Vernon Walters.

E o Brasil passou ser, de fato, colônia Brazil com “Z” sem necessidade de um pacto colonial, que existira durante o mandato colonial português.

A chamada grande imprensa, todos os jornalões e redes de TVs, sem exceção, apoiaram o golpe e a ditadura militar.

E a revolta contra o regime militar não se fez esperar!

No dia 9 de maio, após uma intensa perseguição, o ex-deputado Carlos Marighella foi localizado no Cine Eski na Tijuca. As luzes do cinema acenderam-se, e um tira do DOPS, apontando uma arma para Marighella, deu voz de prisão!

Em troca, tomou um chute no revólver e a arma disparou, ferindo Marighella no peito! Coberto de sangue Marighella enfrentou os policias na porrada!
Ali começou, de fato, a resistência à ditadura militar.

No vai e vem da ditadura, brigalhada e roubalheira, entre os que se julgavam mais revolucionários do que outros. Resolveram trocar de ditadores: Costa e Silva substituiu Castelo Branco.
Sentindo que, com as medidas repressivas tomadas até então, não conseguiam domar a população, em 13 de dezembro de 1968 a ditadura editou o AI-5, Ato Institucional número cinco.

E a sociedade brasileira se transformou num inferno, nos porões escuros e profundos das câmaras de torturas, dos DOI-CODISs e Casas da morte!

Desta última instituição infernal, veio a público a casa da morte de Petrópolis, que não foi a única! Conta-se cerca de meia dúzia!

O golpe sem sangue veio a se transformar na mais terrível das ditaduras que já conhecemos!

Esta é uma tentativa de se fazer um retrato sem retoque do golpe militar de 1964.

Companheiras e companheiros se acharem este texto importante repassem a todos os seus contatos.
Rio de Janeiro,1de abril (primeiro de abril) de 2026
A LUTA CONTINUA, POIS É A NOSSA ÚNICA
RAZÃO DE VIVER!
GLÓRIA ETERNA A TODAS AS COMPANHEIRAS E
COMPANHEIROS QUE “CAIRAM” NA LUTA CONTRA
A DITADURA MILITAR!!

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