Por Walter Falceta, jornalista
Não faz muito tempo, a polícia confirmou que boa parte dos postos de gasolina, em São Paulo, estão operando com combustíveis adulterados. Agora, muito adulterados!
Pode conferir com o seu mecânico de confiança. As oficinas estão lotadas de carros avariados pelo metanol acrescido ao álcool ou à gasolina.
Já encontraram postos em que 90% da bomba estava abastecida com metanol.
No carro, o metanol é tremendamente corrosivo. Acaba com borrachas, plásticos e até alumínio. Ou seja, desgasta mangueiras, bombas e vedações, causando vazamentos e incêndios.
Como o poder calorífico é menor, o motor perde potência e rendimento. Causa danos graves a válvulas e pistões. Seu carro começa a “bater pino”.
Como tudo piorou muito para os paulistas desde a posse do bolsonarista fanático Tarcísio de Freitas, essa se tornou uma prática comum na Grande São Paulo e outras cidades grandes do Estado.
Mas como? O crime organizado importou quantidades absurdas de metanol para maximizar lucros em suas empresas.
Como os paulistas importaram os métodos delinquentes das milícias do Rio de Janeiro, a fraude tem se convertido em padrão.
É a extrema-direita política sempre de braços dados com as facções dedicadas à prática do delito em escala.
A situação piorou quando parte dessa imensa carga de metanol, que o governador não sabe nem viu, passou a ser comprada por laboratórios e destilarias clandestinas de bebidas.
O metanol é, sobretudo, barato. Então, torna mais acessíveis bebidas que abastecem as adegas que se espalharam por todos os bairros da GSP.
E mais: as bebidas batizadas foram adquiridas também pelos capitalistas ávidos por multiplicar lucros, mesmo em bares chiques, como aquele da refinada Alameda Lorena.
Foi lá que a designer tomou as caipirinhas que a deixaram cega.
Detalhe: o metanol é um “veneno” poderoso. É rapidamente absorvido pelo estômago e pelo intestino e, assim, se distribui pelo sangue. O fígado o transforma em formaldeído e, depois, em ácido fórmico.
Resultado: dor de cabeça fortíssima, tontura, confusão, convulsões e coma. O ácido fórmico é especialmente tóxico para o nervo óptico e, geralmente, causa cegueira. Irreversível.
Muita gente, na verdade, morre. Já estão investigando a quarta morte nos últimos dias.
A questão é que o poder público estadual foi absolutamente omisso nessa questão, negligenciando denúncias frequentes sobre adulterações de combustíveis e bebidas.
Saíram ao trabalho atrasados, somente depois da tragédia e da repercussão dos casos na mídia corporativa.
O principal ofício do governador de São Paulo é divulgar o MAGA de Trump e negociar a anistia para os criminosos golpistas e para os vândalos do 8 de Janeiro.
Somente agora, com mortos velados pelas famílias, as primeiras 117 garrafas sem rótulos apreendidas serão (olha o tempo verbal) encaminhadas à perícia no Instituto de Criminalística (IC) da Polícia Técnico-Científica.
BLINDAGEM
O interessante é que o governo e a mídia corporativa estão blindando os postos de gasolina e os bares que servem de ponta de distribuição na cadeia criminosa.
Não divulgam os nomes da empresas nem seus endereços, alegando presunção de inocência. Consideram exposição indevida antes que os responsáveis sejam indiciados, convertidos em réus, julgados e condenados.
Até lá, os consumidores incautos – os mesmos que pagam impostos ao governo estadual e sustentam financeiramente os portais noticiosos – permanecem desinformados sobre os estabelecimentos autuados.
Na verdade, o que ocorre é que os postos de combustível têm força política e econômica. E muitos anunciantes da cadeia de serviços pressionam as grandes redes de comunicação.
Promovem um negacionismo dirigido, altamente lesivo aos interesses do cidadão.
Porque do ponto de vista do direito do consumidor, há necessidade, sim, de se divulgar a identidade comercial dos partícipes da atividade criminal.
Trata-se de uma urgência de saúde pública.
O Código de Defesa do Consumidor (art. 6º) garante o direito à informação clara e adequada sobre produtos e serviços. Nesse sentido, a divulgação evidentemente ajudaria a proteger a população.
Por enquanto, as pessoas estão ficando cegas e morrendo. E o governo bolsonarista, o crime organizado e os comerciantes maximizadores de lucros seguem realizando seus negócios.
O metanol é que manda!”







