Por Carlos Eduardo Alves, jornalista, para o Bem Blogado
Gostemos ou não, Lula não vencerá em outubro somente com os votos da esquerda. Empurrá-lo para um discurso que seja considerado ideal por sonhadores é pavimentar o caminho para a derrota.
Quem vive no planeta Terra sabe há muito tempo que a próxima eleição presidencial será apertada. Embora a lógica, também há um bom espaço de calendário, mantenha Lula como favorito, sabe-se que não há escândalo suficiente para que um candidato de direita não seja competitivo no segundo turno.
Não faltam falcatruas no outro campo, mas o antilulismo é parte relevante da Política brasileira. Saber o tamanho do inimigo é imprescindível para saber derrotá-lo.
Disputa eleitoral não se ganha com delírios, mas com a racionalidade. E a atual correlação de forças pede um cuidado redobrado para as forças progressistas: não cair na tentação de jogar a campanha para pautas que não são hoje prioritárias para a maioria do povo pobre, aquele que vota em Lula.
Existe em um setor respeitável da esquerda o pensamento que a campanha de Lula assuma a bandeira de lutas identitárias legítimas, mas que não são aceitas pela maioria da população, infelizmente.
A extrema-direita é campeã do obscurantismo ao se aproveitar desses temas com uma visão preconceituosa e até medieval e várias vezes a esquerda cai na armadilha dos ogros. E na luta eleitoral que se aproxima cada detalhe tende a fazer a diferença.
O governo Lula tem agido com maestria na abordagem em temas como combate ao feminicídio, no respeito à de orientação sexual, na luta incessante contra o racismo e todas as formas de discriminação.
Avança nesses quesitos fundamentais para a plena cidadania até o ponto em que a realidade permite, muitas vezes pagando até um preço diante da pregação do atraso.
Ninguém em sã consciência pode acusar o governo atual de inação aí. Basta lembrar as ideias e práticas medievais do governo genocida anterior. Portanto, forçar a ida de Lula para além disso na disputa do quarto mandato é simplesmente irresponsabilidade.
A maioria da população brasileira, no estágio atual, não é adepta de teorias revolucionárias, sabemos. A esquerda não tem hoje o monopólio das urnas.
Atestamos isso, para quem quer brigar com a realidade, com a esmagadora maioria do Congresso Nacional, o mais atrasado pelo menos da nossa História recente.
A ignorância mais tosca reina ali, mais uma vez infelizmente. E aqueles senadores e deputados foram eleitos pela mesma urna que deu o triunfo para Lula em 2022.
A sorte que o Brasil contemporâneo tem hoje é contar com Lula, um líder popular que é exceção e pode derrotar a extrema-direita. Os últimos resultados em pleitos na América do Sul atestam o fato. O tsunami reacionário só não passou até agora pelo Brasil. E não foi a força do PT, embora respeitável, que assegurou isso. É Lula, que transcende ao partido no imaginário popular, principalmente entre pobres e miseráveis.
Gostemos ou não, Lula não vencerá em outubro somente com os votos da esquerda. Empurrá-lo para um discurso que seja considerado ideal por sonhadores é pavimentar o caminho para a derrota.
Deixemos essa tarefa para os irresponsáveis de grupelhos sem representatividade na sociedade, aquela ultra-esquerda de nicho que se contenta, quando tem “sucesso”, em obter 1% ou 2% dos votos.
Uma vitória de Lula agora permitirá que se avance mais ainda em pontos nobres defendidos por nossos identitários. Nada como a legitimação da urna. Mas sempre é importante a ressalva abordada acima: a atual administração federal sempre avançou nessa luta democrática e justa.
Portanto, não façam com que a pressa e falta de senso da realidade, a leitura da tal “correlação de forças na sociedade”, facilite o caminho para a volta do obscurantismo conhecido da extrema-direita.







