Por Fernando Brito, Tijolaço –
A manchete da Folha (impressa) sobre sua pesquisa eleitoral, hoje, é um “Marina lidera em todos os cenários“, referindo-se a uma senhora desaparecida, que se vestiu, faz tempo, do figurino de “apolítica de direita”.
De novo, até na pesquisa, Marina é usada para esconder a verdade, que é dura para os golpistas e que aparece cristalinamente nos gráficos que reproduzo acima: Lula não apenas lidera com folga as preferências de voto dos brasileiros como vem crescendo de forma consistente, enquanto seus adversários tradicionais caem a cada rodada de sondagens.
É só olhar, não preciso argumentar. Confira, de um em um, e veja se não é assim.
As duas únicas exceções a esta queda generalizada é a dos “candidatos da ferocidade”, Sérgio Moro e Jair Bolsonaro.
O tal “somos todos Sérgio Moro” que inunda as tevês e redes sociais deve ser lido como “todos, somos 11%”.
Trabalhar com a ideia de rejeição a Lula nas atuais circunstâncias é como avaliar um lutador que está amarrado ao córner, apanhando dos adversários, do juiz, dos jurados e da parte da platéia que torce para o adversário. Numa campanha, ele se levanta, tem televisão e pode se defender e atacar, o que agora lhe é vedado.
Aliás, palmas para Michel Temer, que conseguiu ir do anonimato a campeão de rejeição (45%) em apenas seis meses. E sem a lista da Odebrecht, que foi depois da pesquisa!
No meio da manhã volto, para tratar com mais detalhes da pesquisa Datafolha.
Lula cresce também no segundo turno, inclusive com Marina. Quem afunda é o PSD
Como prometi, no post anterior, onde falei dos números de primeiro turno – muito mais valiosos, até, para análise – também os dados do Datafolha relativos aos possíveis confrontos de segundo turno são extremamente favoráveis a Lula, péssimos para os tucanos e quase neutros para Marina Silva, se esta pretender ter a sua terceira temporada de “cavalo de Tróia” nas eleições presidenciais.
Lula passa à frente de todos os possíveis adversários tucanos, não apenas porque eles caem forte (onde está a história de que foram os grandes vencedores da eleição municipal?), mas porque o petista sobe, mesmo num cenário que etodos reconhecem ser dificílimo: denúncias judicias, derrotas do PT, campanha permanente de acusações pelo complexo mídia-Judiciário.
Desde o início do ano, apesar disso, seus níveis de rejeição caíram. Eram de 53% em março de 2016,pelo mesmo Datafolha. Nove meses de perseguição depois, caíram para 45%, mesmo sem contar com espaços de mídia para se defender.
Começa a haver um certo ar de enfado na população em relação às acusações ao ex-presidente e é recomendável que arranjem com as pressões à Odebrecht algo de mais sólido contra ele.
Repito: a pesquisa não considera a impactante apresentação da reforma da previdência – não é difícil supor que efeitos isso terá – e só parcialmente o conchavo Renan-PSDB-Temer para fazer o Supremo ajoelhar-se.
É bem provável que estejam providenciando.









