O susto salutar nas pesquisas

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Por Carlos Eduardo Alves, jornalista para o Bem Blogado

Há e haverá pedras no caminho até outubro. Dissipou-se a dúvida se uma parte da direita assimilaria um novo Bolsonaro. Sim, eles digerem. O inimigo de classe deles é Lula. São agora 7 meses de correria. A vitória é até provável, mais do que possível, mas exigirá muito empenho e erro quase zero. Além, é óbvio, que se tire a bunda do sofá na campanha que já começou.




A divulgação recentíssima de duas pesquisas eleitorais, ambas de metodologias discutíveis, aliás, despertou medo e surpresa em alguns setores progressistas. Os dois levantamentos apontam Lula e Flávio Bolsonaro em empate técnico na disputa eleitoral. É preciso aguardar o trabalho que o DataFolha vai promover nos próximos dias para se ter uma ideia mais precisa do quadro. Goste-se ou não do instituto paulista, ele é o mais tradicional do mercado e quem trabalha em campanha sabe que o DataFolha é o mais confiável. A avaliação vai da direita à esquerda. É assim que a banda toca.

Feita as imprescindíveis ressalvas, não parece viver na realidade quem acredita que Lula apenas dará um passeio eleitoral em outubro. É quase um delírio o que acometeu os que apostavam em reeleição do petista em primeiro turno.

Lula continua favorito, mas tudo indica que em valores eleitorais o Brasil pouco mudou de 2022 até hoje, O País continua dividido, em que pese os indicadores econômicos entre bons e excelentes que a atual administração mostra.

Melhoramos em tudo na comparação com o desastre do governo fascista. Então, o que explica o equilíbrio aparente de forças?

É a Política, estúpido. Existe um antipetismo e um antilulismo forte em setores da vida nacional e, é inegável se quisermos analisar a Política com os pés na realidade, que o bolsonarismo conseguiu entrar de maneira significativa na classe média baixa.

Basta olhar o resultado eleitoral de 2022, e a estratificação da intenção de voto hoje. O fenômeno não é uma jabuticaba. Aqui mesmo na América do Sul apenas no Uruguai uma força democrática conseguiu ser exceção e venceu a direita nas últimas eleições presidenciais.

No Brasil, afortunadamente contamos com Lula, a maior liderança popular de nossa História. Sem ele, provavelmente testemunharíamos a legitimação do fascismo pelas urnas.

Em condições normais, o que no Brasil do jogo sujo nunca é uma certeza, Lula é o favorito é deve vencer a disputa. Mas, e 2022 já deveria ter ensinado a lição, não é factível achar que devemos sonhar com um triunfo acachapante. Não, não será. Vai ser no laço novamente.

O lado bom do susto dessas pesquisas é que aparentemente despertou algumas pessoas de dentro e fora do governo para o perigo. Será uma campanha que não comportará soberba e nem equívocos evitáveis.

E cometemos alguns, sim. Era previsível, por exemplo, que haveria aves de rapina sobrevoando a questão do Carnaval. Se não houvesse a intervenção de alguns no Planalto, o prejuízo seria maior.

A gente não gosta, mas a esquerda sozinha, mesmo com Lula, não elege presidente da República em 2026. O próprio Lula sabe disso, aliás, mais do que qualquer outra pessoa.

O que serve para tranquilizar um pouco é que o governo e o PT não embarcaram, como muitos influenciadores de esquerda, no endosso cego a ministros do STF flagrados em atos que muito majoritariamente são rechaçados pela população.

O erro de confundir o papel de guardião da Constituição, como o STF corretamente cumpriu ao punir os que tentaram o golpe de Estado, com o apoio a negócios eticamente discutíveis de algumas togas não deve mais ser cometido.

Ainda bem que quem responde pelo PT não embarcou  nessa. Para quem não vive no mundo da Lua, basta ir  às ruas de Campo Limpo ou Madureira e escutar o que o povo acha do que está rolando na Alta Corte no quesito “negócios particulares”.

Há e haverá pedras no caminho até outubro. Dissipou-se a dúvida se uma parte da direita assimilaria um novo Bolsonaro. Sim, eles digerem. O inimigo de classe deles é Lula. São agora 7 meses de correria.

A vitória é até provável, mais do que possível, mas exigirá muito empenho e erro quase zero. Além, é óbvio, que se tire a bunda do sofá na campanha que já começou.

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