ONU: 80% das construções de Gaza foram destruídas pela guerra

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Relatórios das Nações Unidas apontam devastação sem precedentes, com 55 milhões de toneladas de escombros e mais de 68 mil mortos; reconstrução levará décadas

Por Lucas Toth, compartilhado de Vermelho




Foto: Fumaça sobe após bombardeios israelenses atingirem a Cidade de Gaza nesta terça-feira (16), no primeiro dia da ofensiva terrestre para ocupar a capital do enclave. Foto: Reprodução

A guerra em Gaza deixou 80% das construções do território destruídas ou gravemente danificadas, segundo relatórios das Nações Unidas. Dois anos de ofensiva israelense transformaram cidades inteiras em ruínas, produziram 55 milhões de toneladas de escombros e deixaram mais de 68 mil palestinos mortos.

O conjunto de dados foi classificado pela ONU como uma das maiores crises urbanas e humanitárias da história recente, com efeitos que se estenderão por gerações. De acordo com o Centro de Satélites das Nações Unidas (UNOSAT), 83% de todos os edifícios da Cidade de Gaza — o maior centro urbano do território — foram atingidos.

O cálculo corresponde a cerca de 81 mil moradias destruídas, além de hospitais, escolas, redes de energia e sistemas de saneamento arrasados por sucessivos bombardeios israelenses.

Imagens de satélite divulgadas pela ONU mostram a capital, a Cidade de Gaza, reduzida a uma paisagem cinzenta e silenciosa, coberta por destroços e poeira, resultado da maior destruição urbana já registrada no Oriente Médio desde a Segunda Guerra Mundial.

“O conflito gerou cerca de 55 milhões de toneladas de entulho, uma quantidade equivalente a 13 vezes o volume das pirâmides de Gizé”, afirmou Jaco Cilliers, representante do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). A ONU afirma que a devastação é tamanha que nem todos os locais poderão ser reconstruídos.

Hospitais e escolas funcionam parcialmente, e centenas de milhares de palestinos deslocados vivem em tendas improvisadas, enquanto o bloqueio imposto por Israel impede a entrada de materiais básicos de reconstrução.

O relator especial da ONU para o direito à moradia, Balakrishnan Rajagopal, descreveu a destruição como “domicídio”, termo utilizado para caracterizar a eliminação deliberada de lares civis. “A destruição de casas e o esvaziamento das áreas tornam os locais inabitáveis — é uma das principais formas pelas quais o ato de genocídio tem sido cometido”, disse Rajagopal à Al Jazeera.

O especialista comparou a situação à Nakba de 1948, quando centenas de milhares de palestinos foram expulsos de suas terras durante a criação do Estado de Israel.

“É como outra Nakba. O que aconteceu nos últimos dois anos será algo semelhante”, afirmou.

Com o cessar-fogo firmado em 10 de outubro de 2025, milhares de palestinos começaram a voltar para o norte da Faixa de Gaza, onde restam apenas crateras, escombros e edifícios colapsados.

“Os impactos psicológicos e o trauma são profundos, e é isso que estamos vendo agora, à medida que as pessoas retornam ao norte de Gaza”, relatou Rajagopal. O PNUD informou que já removeu 81 mil toneladas de entulho, mas o trabalho é lento.

As estradas destruídas e o controle israelense sobre os pontos de entrada dificultam a chegada de ajuda humanitária, enquanto famílias inteiras retornam às ruínas sem acesso a água, eletricidade ou abrigo.

A ONU calcula que a reconstrução completa da Faixa de Gaza custará ao menos US$ 70 bilhões (cerca de R$ 382 bilhões) e poderá levar décadas.

A nova estimativa é 30% superior à divulgada em março deste ano, quando o valor era de US$ 53 bilhões. Países árabes e europeus, além de Canadá e Estados Unidos, sinalizaram disposição em contribuir com o financiamento, mas até agora não há compromissos firmes.

“Recebemos notícias muito positivas de vários de nossos parceiros, incluindo europeus, e do Canadá”, declarou Jaco Cilliers, acrescentando que há discussões em andamento com os Estados Unidos.

Nos próximos três anos, serão necessários US$ 20 bilhões (R$ 115 bilhões) para saneamento, abastecimento de água e limpeza urbana, segundo o PNUD.

O acordo de cessar-fogo, mediado por Egito, Turquia e Qatar, levou à libertação dos últimos 20 reféns israelenses vivos e à soltura de quase 2 mil prisioneiros palestinos.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou o fim da guerra, mas persistem incertezas sobre o desarmamento do Hamas e a composição do governo tecnocrático que deve administrar o território palestino.

Enquanto as negociações se arrastam, a ONU alerta que, sem o fim do bloqueio e sem garantias de soberania, a reconstrução será inviável. Gaza, reduzida a ruínas, é hoje símbolo da tragédia provocada por uma guerra que destruiu cidades, ceifou vidas e comprometeu o futuro de todo um povo.

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