Por Carlos Eduardo Alves, jornalista, para o Bem Blogado
Diz o noticiário, e a movimentação política de Lula confirma, que o presidente da República está dedicando boa parte de seu tempo à armação de palanques estaduais sólidos em 2026. Parece uma obviedade, mas não é. Grande parte do destino da corrida presidencial será decidida em conjunto com o que ocorrerá nas corridas de governadores e parlamentares federais e estaduais.
Explicando: o quadro hoje, já no ano da eleição, é de um país dividido quase ao meio entre apoiadores do governo e direita e extrema-direita na oposição. Existe uma quase cristalização do resultado final de 2022, quando Lula venceu Bolsonaro por pequena margem. Na prática, não adiantaram os números extremamente favoráveis da administração atual em todos os campos, notadamente na Economia. O nível de desemprego é o menor da História, a inflação é controlada etc, mas isso não se reflete nas pesquisas eleitorais.
O que isso significa? Que a luta política entre progressistas e conservadores trava qualquer avanço racional. Quem é contra Lula permanecerá no ódio injustificado, mesmo que a realidade aponte para o erro dos que previram o fracasso do governo.
Óbvio que a tendência, em condições normais e históricas, é que Lula cresça durante a campanha. Máquina na mão ajuda. Até Bolsonaro cresceu nos metros finais da corrida de 2022. E Lula em campanha é único, um fenômeno para atingir o ouvido das massas. Mas isso não significa que os reacionários entregarão a rapadura facilmente. Daí a obrigatoriedade de solidificar candidaturas fortes nos Estados.
O eleitor de centro, mais do que os partidos desse espectro que na verdade devem se alinhar contra Lula, será decisivo no embate final. E aí, por mais que alguns de nós tenhamos restrições, é preciso se unir mesmo a quem não tenha trajetória no nosso campo, mas que esteja claramente com Lula para a reeleição.
Por exemplo, o caso de São Paulo é emblemático, por absolutamente tudo. É o Estado mais populoso, economicamente o mais importante, hoje a verdadeira caixa de ressonância nacional. Lula não pode sair de São Paulo com uma desvantagem grande. Conseguiu isso em 2022, com Fernando Haddad forçando um segundo turno. Perdeu, mas conseguiu logros como a vitória na cidade de São Paulo. Haddad parece resistir a uma nova empreitada estadual e aí surge a possibilidade Simone Tebet.
A atual ministra do Planejamento fez uma campanha presidencial digna em 2022 e imediatamente após a definição de quem iria ao segundo turno anunciou o apoio a Lula. Mais, empenhou-se pessoalmente em carreatas e comícios a favor do petista.Tornou-se ministra de Lula, sem ter criado um único problema para o presidente da República. Ao contrário, quem vive o bastidor do governo só elogia a lealdade de Simone Tebet.
A dura realidade é que ninguém no campo progressista, fora talvez Haddad, tem viabilidade eleitoral para disputar de verdade o Palácio dos Bandeirantes. Tebet talvez padeça desse entrave também. Mas tem algumas qualidades que soa bem no eleitorado paulista: é equilibrada, boa oradora, dona de boa imagem, mulher etc. E, no campo político, mostrou-se absolutamente correta com Lula, apesar de não ser de origem progressista. Qual a razão de não ter o aval do campo popular? Temos alguém melhor em termos de potencial de voto? A resposta sincera é não, sabem todos os que não deliram.
A situação de São Paulo se repete em outros Estados. Será uma eleição com definição de campos clara: civilização x barbárie. Teremos, em alguns casos, de abrir mão de candidaturas para a construção de uma frente ampla, com hegemonia progressista, para derrotar mais uma vez direita e extrema-direita. Quem não percebe isso não está lendo a realidade do País.







