Panteras Negras para Autodefesa: quem é o grupo que desafia o ICE e a política anti-imigração de Trump

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Liderados por Paul Birdsong, grupos armados patrulham ruas de cidades como Filadélfia, Los Angeles e Minneapolis para defender imigrantes dos sequestros por agentes do ICE, a polícia anti-imigração de Trump.

Por: Plinio Teodoro, compartilhado de Fórum




Oviolento levante de Donald Trump contra imigrantes que culminou nos assassinatos de Renee Good e Alex Pretti em ações dos agentes do Serviço de Controlo de Imigração e Alfândegas (ICE, na sigla em inglês) fez renascer em cidades como Filadélfia, Los Angeles e Minneapolis um grupo inspirado no revolucionário Partido dos Panteras Negras, que lutava lutava contra a brutalidade policial contra os negros nas décadas de 1960 e 1970 nos EUA.

Liderados por Paul Birdsong, que ganhou notoriedade nos protestos de 2020 após o assassinato de George Floyd por policiais na mesma Minneapolis onde Pretti foi executado pelos agentes federais, o movimento se autodenomina “Black Panther Party for Self-Defense”, ou Partido dos Panteras Negras para Autodefesa.

“Nenhum agente do ICE jamais vai me abordar. Eu garanto”, afirmou Birdsong em protesto na Filadélfia, desafiando os agentes anti-imigração de Trump e protegendo os manifestantes.

Nas redes, o ativista mantém o perfil de “Chairman Paul Birdsong” e divulga o Black Lion Party For International Solidarity, Partido Leão Negro pela Solidariedade Internacional para conquistar apoio no enfrentamento contra Trump.

Aos 39 anos, o líder do movimento divulga vídeos de membros armados, usando a prerrogativa armamentista que impera nos EUA, que fazem ronda pelas cidades para defender imigrantes dos agentes do ICE.

Segundo artigo da pesquisadora de mídia e militante do Movimento Negro Unificado (MNU) Malu Nogueira, publicado no site Alma Preta, membros sobreviventes do partido original teriam treinado Birdsong e outras lideranças, que seguiram adiante com o recrutamento de novos filiados.

“Não se sabe ao certo a quantidade total de militantes que aderiram ao partido em todo país. De acordo com declarações dadas à imprensa, cerca de 100 pessoas compõem a sessão da Filadélfia. A intervenção do movimento, assim como na experiência anterior, organiza-se a partir de duas frentes. A primeira é a organização de atividades comunitárias, como distribuição gratuita de alimentos, roupas e itens básicos em bairros pobres. As ações se assemelham à lógica dos “programas de sobrevivência” dos Panteras, como o café da manhã gratuito para crianças e clínicas médicas gratuitas”, relata.

Segundo a ativista brasileira, a segunda frente se dá justamente “a partir da brecha legal de diversos estados norte-americanos em relação à posse e ao porte de armas de fogo”.

“É a presença ostensiva de membros armados em protestos, ações públicas e patrulhamento comunitário. Para o grupo, a visibilidade de cidadãos negros armados e organizados inibe a ocorrência de abusos policiais e ataques de grupos supremacistas da extrema direita. Além disso, cumpre o papel de reforçar a ideia de que as comunidades marginalizadas têm direito à própria proteção quando o Estado falha. É a partir dessa última ideia que o grupo tem se posicionado em relação à política de imigração. Eles querem o fim do ICE, além de reivindicarem a responsabilização da administração de Trump pelos assassinatos e casos de violência por parte de agentes federais”, diz – leia o artigo na íntegra.

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