40% simpatizam com a Palestina; em 2013, eram 13%; genocídio em Gaza e guerra contra o Irã contribuíram para mudança
Por Rodrigo Durão Coelho, compartilhado de BdF
Foto: Pessoas protestam contra a guerra no Irã em 2 de março de 2026 em Nova York, Nova York | Crédito: Adam Gray/Getty Images/AFP
A maior parte dos eleitores dos Estados Unidos passou a enxergar de forma negativa Israel e, atualmente, tende a sentir mais empatia para com a Palestina. As conclusões são de pesquisa da rede NBC que ouviu cerca de mil eleitores entre 27 de fevereiro e 3 de março.
A pesquisa indica que 39% dos eleitores tem percepção negativa de Israel, e 32%, positiva. Quando a NBC fez a mesma pergunta em 2023, 47% afirmaram terem percepção positiva e 24%, negativa. Em ambas as pesquisas, 30% disseram ser neutros.
Quando questionados se suas simpatias estão mais com os israelenses ou com os palestinos, 40% dos eleitores registrados dizem se identificar mais com os palestinos, enquanto 39% escolhem os israelenses. A divisão era de 45% para israelenses e 13% para palestinos quando a NBC News fez a pergunta há mais de uma década, em novembro de 2013.
Enquanto dois terços dos republicanos se alinham com os israelenses, dois terços dos democratas agora se alinham com os palestinos.
“Isso é irreconhecível em termos de onde os Estados Unidos e o Partido Democrata estavam nos últimos 20 ou 30 anos”, disse o pesquisador republicano Bill McInturff, cuja empresa, Public Opinion Strategies, conduziu a pesquisa em conjunto com o pesquisador democrata Jeff Horwitt e a Hart Research Associates.
Outro responsável pela pesquisa, Jeff Horwitt, da Hart Research Associates, afirma que o genocídio palestino Faixa de Gaza e os ataques contra o Irã marcaram uma virada para muitos eleitores.
“Israel pode ter tido um grande sucesso militar em sua guerra contra o Hamas, mas suas ações prejudicaram seriamente sua reputação perante o povo americano”, afirmou.
Para McIntuff, as conclusões da pesquisa indicam que as primárias presidenciais democratas de 2028 “serão disputadas em um terreno muito, muito diferente em relação à questão de Israel” do que qualquer disputa anterior.
E as eleições deste ano?
Para o analista político James Green os resultados do estudo “não devem ter impacto direto no pleito de novembro, mas é indicação de que a maioria das pessoas nos Estados Unidos está contra a colaboração entre Israel e e os Estados Unidos no bombardeio do Irã”.
Para o professor emérito da Brown University, em Rhode Island, questões internas, incluindo o fracasso do presidente estadunidense, Donald Trump, em cumprir promessas eleitorais devem pesar mais nas legislativas deste ano. “Trump prometeu resolver os problemas da inflação e a economia, mas, ao contrário, vai aumentar o preço de de gasolina por causa da guerra”.
“Ele prometeu não se meter em guerras sem fim, mas está cada vez mais envolvido no Irã, em um momento em que a maioria da população é contra o conflito.”
O analista diz acreditar que a posição negativa sobre Israel pode ser momentânea e mudar com o tempo. Para ele, qualquer análise sobre o tema deve também levar em conta o antissemitismo existente no país. Apesar da atuação do AIPAC [Comitê Americano de Assuntos Públicos de Israel — lobby sionista que atua junto ao governo dos EUA], Green diz que a questão deve ser periférica nas eleições que vão renovar o Congresso estadunidense este ano.
“Eu acho que o mais importante vai ser a rejeição do governo de Trump e suas políticas, que deve significar a perda da maioria na Câmara e talvez até no Senado”
Discutir a relação tóxica
A pesquisa NBC sugere uma mudança histórica na opinião pública estadunidense que pode ter repercussões a longo prazo. O favorito democrata para tentar a disputa presidencial em 2028, o governador da Califórnia Gavin Newsom declarou recentemente ser “clara como cristal a minha paixão por Israel e minha condenação de Bibi [Netanyahu]”.
Questionado se os EUA deveriam repensar sua parceria militar com Israel, Newsom afirmou que “isso me parte o coração, porque a atual liderança em Israel está nos conduzindo por esse caminho, e eu não acho que tenhamos escolha a respeito disso”.
“Dizer isso [que a guerra foi iniciada] em nome dos interesses dos EUA, em um momento em que as finanças da população estão em níveis críticos, em que temos uma administração que foi eleita dizendo que isso [entrar em guerra] é exatamente o oposto do que considerariam fazer, e considerando que estamos nessa guerra regional, toda a corrupção é uma conversa real que precisamos ter.”
O governador citou a análise de alguns cientistas políticos que a guerra poderia impulsionar Netanyahu a uma vitória eleitoral que alimentaria ainda mais o extremismo em Israel, contrariando os interesses dos EUA.
“A questão de Bibi é interessante porque ele tem seus próprios problemas internos. Ele está tentando evitar a prisão. Ele tem uma eleição chegando. Ele está potencialmente em apuros. Há pessoas na linha dura que querem anexar a Cisjordânia”, aponta Newson, que classifica a medida como um apartheid social.
Editado por: Luís Indriunas







