Povo na rua não pode ser coisa rara

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Por Carlos Eduardo Alves, jornalista

O grande fato político do ano até agora, do lado das forças populares, foi o sucesso das manifestações de rua contra a PEC da Bandidagem e a anistia para criminosos golpistas. Depois de alguns penosos anos, a esquerda conseguiu superar os fascistas no asfalto e impôs aos velhacos da Câmara um revés memorável. A extrema-direita e os muitíssimos deputados picaretas foram surpreendidos pela repulsa popular aos seus intentos verdadeiramente criminosos. Mas o gol não pode parar. Ou a cidadania brasileira sai de vez do sofá e enfrenta a barbárie nas ruas ou o futuro breve será de trevas.




Não podemos ser um avestruz na hora de enxergar a realidade. Nos últimos anos, estivemos ausentes das ruas, não conseguimos mobilizar gente em números expressivos para batalhar por nossas causas. Os bandidos políticos e os reacionários nos suplantaram na Paulista, na importante São Paulo, e em outras cidades. É verdade que as manifestações do outro lado já estavam longe das do passado recente, mas nós não conseguíamos fazer o gol. Mudou. A iniciativa agora, até pelo excesso de cara de pau dos velhacos, é nossa.

Estamos entrando em ano de eleição presidencial. Aliás, falta apenas um ano para o Brasil decidir se continua na Civilização ou se volta à barbárie dos genocidas. Não há, dada a avassaladora maioria reacionária no Parlamento, nada eficaz para enfrentar o atraso do que a força das ruas. Será que já entendemos isso?

Durante a atual semana, por exemplo, a Câmara pautou e aprovou a votação da mais  importante, até agora proposta de justiça tributária e social do terceiro mandato do presidente Lula. É a isenção total do IR para quem ganha até 5 mil reais por mês. A medida, nos termos enviados pelo governo, previa a compensação da perda dessa arrecadação com impostos maiores para os muito ricos e milionários, que hoje muitas vezes pagam menos IR, ou simplesmente não pagam, que um professor de ensino fundamental da rede pública. Escândalo mundial e moral que precisa ser corrigido.

E não houve lamentavelmente nenhuma manifestação de rua para batalhar por essa causa básica. Sim, ocorreram campanhas em redes sociais, de última hora, meritórias mas incapazes de substituir a indignação de muita gente na rua.

O ronco do asfalto, velha ferramenta das forças populares, ainda  é nosso melhor combustível para avisar ao outro lado que estamos acordados e vigilantes. Não significa que convocações tenham que se dar os 45 minutos do segundo tempo e nem de forma desorganizada. Já demos muitos tiros no pé recentemente por espontaneísmo. Mas é hora de organizarmos com antecedência a ida às ruas sempre que um fato realmente relevante justificar.

Acabou a preliminar. O jogo finalmente começou e o momento é nosso. A postura corajosa e madura de Lula no enfrentanento com o escroque Trump, os índices bons de economia e emprego, a desmoralização da antipatriótica família Bolsonaro e seus capangas no Congresso etc formaram um quadro excelente para as forças progressistas.

Não se pode dormir no vestiário quando o vento é nosso. Mas é hora, também, de não se conformar em fazer o primeiro gol e parar. Não podemos competir com eles em dinheiro e engajamento dos meios de comunicação para defender justiça social. Mas temos as ruas para ocupar. Sim, é possível.

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