Quando a minoria bilionária ri da miséria da maioria

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Por René Ruschel, jornalista

Um vídeo que circula nas redes sociais dispensa legenda. Parlamentares da oposição, muitos deles autoproclamados “patriotas”, gritam, vibram, batem palmas e até sorriem como torcedores diante de um gol.




O motivo da euforia? A rejeição de uma Medida Provisória que previa a taxação de grandes fortunas e de apostas esportivas online, as famosas bets.

Em outras palavras, comemoram o direito dos super-ricos de continuarem não contribuindo quase nada para o país que os sustenta.

A MP, que atingiria cerca de 150 mil pessoas, ínfima parcela de uma população com mais de 200 milhões, tinha o objetivo de corrigir uma distorção histórica. No Brasil, apenas os assalariados e os pobres pagam imposto de renda de verdade.

Quem vive de salário tem o desconto no contracheque, sem escapatória. Já quem vive de lucros, dividendos, heranças e rendas milionárias sempre encontra uma brecha, um paraíso fiscal, um “planejamento tributário”.

Enquanto um professor ou enfermeira entrega até um terço de seu rendimento à Receita, um bilionário paga menos, proporcionalmente, do que o porteiro do prédio onde mora.

É o famoso “Robin Hood às avessas”. O Estado que toma dos pobres para preservar os privilégios dos ricos.

Mas o que se viu no plenário foi mais que um voto político, foi uma encenação de revanche. Os mesmos parlamentares que agora impedem a taxação das fortunas são os que, dias atrás, viram suas “PECs da Blindagem” e da “Anistia” naufragarem.

Frustrados por não terem conseguido garantir impunidade a si mesmos e a seus financiadores, resolveram retaliar o governo. Não votaram contra a medida, votaram contra o país.

O pior é que muitos desses congressistas se elegeram com o discurso de “defender o povo trabalhador” e “acabar com os privilégios”.

Hoje, vibram justamente por manter os privilégios intocados. É como ver o lobo travestido de cordeiro discursar sobre segurança no curral.

Nos países desenvolvidos, a taxação de grandes fortunas e heranças é vista como parte do pacto civilizatório. Nos Estados Unidos, na França, na Alemanha ou na Noruega, quem tem muito paga muito. Simples assim.

Os parlamentares insistem em tratar a desigualdade como se fosse um dom divino e não o resultado de escolhas políticas como essa, que mais uma vez fez os pobres pagarem a conta da festa dos ricos.

Talvez o riso deles tenha outro significado. O riso de quem pretende que o país esteja sob seu controle, que a desigualdade continue servindo de combustível para o medo, o ódio, a manipulação, a compra de voto.

No Brasil, a desigualdade não é acidente, é projeto. Cada risada no Congresso soa como um lembrete cruel de que, por aqui, justiça social ainda é tratada como piada.

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