“Queria me incriminar e não pagar pelo serviço”, diz empregada torturada por patroa

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A empregada doméstica grávida de 19 anos que denunciou patroa em São Luís (MA) afirmou que a agressora tentou incriminá-la e não queria pagar pelos serviços. Ela afirmou que sofreu agressões físicas e psicológicas após ser acusada de furtar um anel.

Por Caique Lima, compartilhado de DCM




Foto: Carolina Sthela Ferreira dos Anjos. Foto: Reprodução

De acordo com a investigação, a empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos agrediu a vítima ao lado de um policial militar amigo dela. A jovem afirma que foi obrigada a confessar um furto que nega ter cometido.

“Quando estava caída no chão, o policial colocou a arma na minha boca. Fiz de tudo pra defender a minha barriga”, relatou. A vítima afirmou que trabalhava havia apenas 15 dias no local e receberia R$ 1.500 após completar um mês de serviço.

Segundo ela, após as agressões, a empresária encerrou o vínculo de trabalho e pagou apenas metade do valor combinado. “Ela fez isso pra me incriminar e não pagar pelo serviço”, declarou.

A jovem também relatou rotina de trabalho de dez horas diárias, de segunda a sábado, com apenas meia hora de intervalo. “Tô passada e muito dolorida. Estava precisando do trabalho, tive que aceitar o serviço pesado, mesmo no meio de uma gestação sensível”, disse.

Segundo o depoimento, os agressores fizeram ameaças de morte durante a tentativa de obrigá-la a devolver o anel desaparecido. “O policial, amigo dela, deu uma coronhada na minha cabeça, apontou a arma pra mim e disse que ia dar um tiro na minha perna”, afirmou. Ela declarou ainda que mostrou bolsas e pertences para provar que não havia furtado a joia.

A empresária foi presa nesta quinta (7), no Piauí. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, ela foi localizada em Teresina enquanto abastecia o carro. A defesa nega tentativa de fuga, mas admite as agressões. “Ela admite lesão corporal, mas não tortura. E nos áudios ela acaba falando coisas que ela não fez”, afirmou a advogada Nathaly Moraes.

Documentos obtidos pela Folha apontam que Carolina já respondeu a mais de dez processos judiciais. Em um dos casos, foi condenada por calúnia após acusar falsamente uma babá de furtar uma pulseira de ouro. A vítima recebeu indenização de R$ 4 mil por danos morais.

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