FLÁVIO BOLSONARO. UM MOLEQUE NO DEBATE, UM RISCO NA PRESIDÊNCIA
O debate da Band deste domingo, 18, foi um espetáculo deprimente.
Flávio Bolsonaro entrou em cena não como candidato à Presidência da República, mas como aquele garoto provocador e irresponsável que faz bagunça na sala de aula, desafia o professor e depois se imagina heróis da turma.
Sua performance foi um insulto ao eleitor. Em vez de discutir propostas, apresentar soluções ou demonstrar conhecimento dos problemas nacionais, preferiu gesticular, debochar e transformar o palco em picadeiro.
A insistência em permanecer atrás de Lula, aparentemente para desviar a atenção dos telespectadores, foi um dos momentos mais ridículos da noite. Usou a mesma tática de Donald Trump quando disputou à presidência dos Estados Unidos com Hillary Clinton.
Vídeos que circulam nas redes sociais sugerem a influência de Pablo Marçal, presente na plateia, nessa encenação. Se a intenção era produzir um espetáculo grotesco, conseguiu. Se era demonstrar estatura presidencial, protagonizou um fiasco.
Duas advertências dos apresentadores não foram suficientes para devolver ao senador a compostura que o cargo que pretende ocupar exige.
A Presidência não é brinquedo de gente inconsequente, tampouco palco para aspirantes a comediantes. O Brasil não precisa de um presidente que se comporte como um adolescente em busca de aplausos.
E o pior veio quando precisou responder. Flávio fugiu das questões incômodas, contornou perguntas e deixou o eleitor sem esclarecimentos objetivos.
Não respondeu sobre os R$ 130 milhões associados a Vorcaro; nenhuma explicação satisfatória sobre seu voto contrário à licença-maternidade; silêncio político diante da cobrança de Lula para que abrisse os sigilos de suas contas e de seu telefone.
Não explicou seu projeto relacionado à identificação de munições pelas marcas e pelos projéteis. São assuntos que merecem respostas documentadas, não malabarismos retóricos.
O candidato quer sentar na cadeira presidencial, mas, diante das câmeras, comportou-se como quem ainda precisa aprender as regras elementares da convivência democrática.
Não basta provocar o adversário, é preciso ter argumentos. Não basta fazer cena, é preciso ter conteúdo. Não basta querer parecer forte, é preciso demonstrar preparo.
O que se viu foi a malandragem apresentada como ousadia, a deslealdade travestida de marketing e a ausência de respostas disfarçada de esperteza.
Um país com problemas gigantescos não pode tratar a Presidência como prêmio para quem faz mais barulho. O eleitor merece seriedade, transparência e propostas.
Quem não consegue respeitar sequer as regras de um debate televisivo oferece motivos de sobra para que o país questione sua capacidade de respeitar as responsabilidades de um mandato presidencial.
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Foto: Rick Wilking/Reuters




