László Krasznahorkai é reconhecido por narrativa densa e distópica marcada por realismo sombrio
Foto: O escritor húngaro László Krasznahorkai, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura de 2025 - Lenke Szilágyi, CC BY-SA 3.0/Wikimedia Commons
O escritor húngaro László Krasznahorkai foi o vencedor do Prêmio Nobel de Literatura de 2025, anunciado na manhã desta quinta-feira (9) pela Academia Sueca. Segundo o comitê, o autor foi reconhecido “por sua obra convincente e visionária que, em meio ao terror apocalíptico, reafirma o poder da arte”.
Nascido em 1954, na cidade de Gyula, no sudeste da Hungria, próxima à fronteira com a Romênia, Krasznahorkai é o segundo autor húngaro a receber o prêmio, depois de Imre Kertész, laureado em 2002. O reconhecimento veio principalmente pelo conjunto de obras com forte marca filosófica, densidade estilística e ambientações distópicas.
A projeção internacional de Krasznahorkai começou com o romance Sátántangó, publicado em 1985. O livro, o único do autor publicado em português, retrata um grupo de moradores desamparados em uma fazenda coletiva na zona rural húngara, pouco antes da queda do regime comunista. A trama é centrada na chegada de um homem misterioso – possível profeta, farsante ou demônio – que mobiliza os habitantes em meio à decadência, miséria e à chuva incessante. A estrutura narrativa segue um formato de tango, com capítulos que avançam e recuam em simetria: seis para frente, seis para trás.
No Brasil, Sátántangó foi publicado em 2022 pela Companhia das Letras, em tradução premiada com o Prêmio Paulo Rónai da Biblioteca Nacional. A editora anunciou ainda o lançamento de dois novos títulos em português em 2026: O Retorno do Barão Wenckheim e Herscht 07769 – este último, um romance de mais de 400 páginas escrito em uma única frase.
Em 1994, o primeiro livro do autor foi adaptado para o cinema pelo cineasta Béla Tarr, com quem o autor manteve uma parceria criativa duradoura. Juntos, levaram também às telas outras obras, como A Harmonia Werckmeister, consolidando a reputação de Krasznahorkai como referência do realismo sombrio europeu.
O autor ganhou outros reconhecimentos importantes ao longo da carreira, como o Man Booker International Prize em 2015.
Entre os nomes especulados para o prêmio deste ano estava o do escritor amazonense Milton Hatoum, autor de Dois Irmãos e Cinzas do Norte. Ele figurou nas listas de apostas de casas britânicas como a NicerOdds, com chances remotas, mas reais, de conquistar a honraria. Caso tivesse vencido, seria o primeiro brasileiro premiado com o Nobel de Literatura. Até hoje, apenas um autor de língua portuguesa recebeu o reconhecimento: o português José Saramago, em 1998.
Prêmio tradicional e prestigiado
O Nobel de Literatura é concedido desde 1901, conforme o testamento do químico e inventor Alfred Nobel, com o objetivo de reconhecer “o mais extraordinário trabalho de forma idealista”. Em 2025, o valor destinado ao prêmio foi de 11 milhões de coroas suecas – cerca de R$ 6,2 milhões.
A cerimônia de entrega ocorre anualmente em 10 de dezembro, data da morte de Alfred Nobel, na Sala de Concertos de Estocolmo, com a presença do rei da Suécia. Entre os nomes consagrados ao longo da história estão William Faulkner (1949), Winston Churchill (1953), Orhan Pamuk (2006) e Jon Fosse (2023).
A vencedora anterior, em 2024, foi a sul-coreana Han Kang, reconhecida “por sua intensa prosa poética que confronta traumas históricos e expõe a fragilidade da vida humana”.
Os anúncios dos demais prêmios Nobel seguem ao longo da semana. Na sexta-feira (10), será divulgado o vencedor do Nobel da Paz, e, na próxima segunda-feira (13), será a vez do Nobel de Economia. A tradicional cerimônia de premiação ocorrerá em dezembro, em Estocolmo, reunindo todos os laureados de 2025.
Editado por: Nathallia Fonseca







