Quem precisa de IA quando temos o “jornalismo profissional” se oferecendo assim, no fundo feito o Gemini, Grok ou ChatGPT, a quem quer ver o Brasil em chamas.
Por Hugo Souza, compartilhado de Come Ananás
Foto: Imagem da capa do álbum Wish you were here, do Pink Floyd.
“Se quiser, também posso criar 5 manchetes fortes para redes sociais sobre essa notícia — esse tema costuma gerar bastante engajamento”.
Assim termina uma reportagem publicada nesta semana por um portal gaúcho de notícias — o Portal Gaúcho de Notícias — sobre a possibilidade de a prefeitura de Florianópolis bloquear o Bolsa Família para “pessoas em situação de rua que recusarem repetidamente acolhimento ou apoio oferecido pela assistência social do município”.
A prefeitura de Florianópolis é aquela que usa a assistência social como “controle migratório” de desempregados e o portal regional, como se vê, esqueceu no fim do texto o arremate da IA usada para criar a reportagem.
E só por uma coincidência mesmo, só por mera coincidência, a IA usada para criar a reportagem, ou qualquer outra IA, “pensa” igual ao dono da big tech que a criou e pôs o monstro na praça: “manchetes fortes” sobre temas que geram um mar de engajamento.
O mero detalhe da mera coincidência é que, conforme já fartamente demonstrado, o que gera tsunamis de engajamento nas redes sociais são as “manchetes fortes” (leia-se: postagens enviesadas) que retroalimentam os piores preconceitos que grassam nas médias camadas, tipo achar que as pessoas não trabalham, não se dão mais ao respeito, nem tem mais com o que sonhar nesta vida por causa de vagabundagem inata retroalimentada por três vinténs de programas sociais.
Nunca, como diria o autor da Ópera dos três vinténs — Bertolt Brecht —, pelo programa implementado pela city.
As piores ideias que vão na cabeça das pessoas: tipo, quem sabe, “ditadura da toga”, “Supremo é o povo”. E, nesta linha e neste ano eleitoral, com “manchetes fortes” sobre o “Supremo acuado” ocupando o lugar do mais importante — a fim de manter, afinal, o Supremo acuado.
O muito mais importante relegado a segundo ou terceiro plano nesta verdadeira MASTERpiece do jornalismo de pernas pro ar: uma milícia bancária avançando sobre recursos de aposentados em cumplicidade com governadores de extrema direita e com o Banco Central de extrema direita, posto que referido como “independente”; um banco-milícia financiando campanhas eleitorais da extrema direita, posto que referida como “direita moderada”, e tudo isso costeando o Primeiro Comando da Capital.
Mas, para isso, quem precisa de IA? A IA que se ofereça a portais do Sul para “cuidar” dos humilhados e ofendidos de Florianópolis. Para todas as outras coisas, nomeadamente uma Lava Jato reloaded às vésperas de eleições gerais, temos o “jornalismo profissional” se oferecendo assim, no fundo feito o Gemini, Grok ou ChatGPT, a quem quer ver o Brasil em chamas:
“Se quiser, posso criar manchetes”.







