Como encarar um tema crucial para a população, mas minado por pautas reacionárias? Um debate em São Paulo sugere: há espaço para um projeto democrático e antirracista. O que não cabe é ignorar o debate, ou comprar o programa dos adeptos da violência
Por Antonio Martins, compartilhado de Outras Palavras
Foto: SBT News
Há pelo menos dois anos, violência – um termo amplo, porém repleto de sentidos políticos – é a resposta mais frequente dos brasileiros quando indagados sobre a “maior preocupação em relação ao país”. Na última pesquisa Quaest, divulgada em junto, foi escolhida por 30% dos entrevistados, bem à frente de corrupção (19%), problemas sociais (18%), economia (13%), saúde (13%) e educação (5%). As consequ³encias são conhecidas e graves. Na disputa eleitoral, as várias alas de uma ultradireita hoje dividida — mas não batida – vem na bandeira da “segurança”a principal aposta para vencer em 2026.
Mas a contaminação vai muito além das eleições. Avançam no Congresso, muitas vezes com apoio popular, os projetos do punitivismo, como a redução da idade penal. As periferias, de onde poderia partir a luta pelo resgate da riqueza e dos direitos, permanecem paralisadas pelo crime organizado, pelo estado de sítio decretado pelas milícias e polícia, pelo proselitismo oportunista de pastores que exploram o tema para ocultar as causas mais profundas da pobreza.

Este desastre político pode ser revertido. É o que sugeriram, num seminário em 7/7, o cientista social Benedito Mariano, que coleciona experiências exitosas como gestor de Segurança Pública, e a pesquisadora Natália Pollachi, coordenadora de p130 por 100 mil habitantes – a mais alta do país. Entre 2021 e 2022, despencou para apenas 4, trinta vezes menos. Não é caso único. Um feito igualmente notável foi alcançado no Jardim Ângela, periferia da Zona Sul paulistana, na virada do século. A receita foi a mesma: ação não-repressiva do Estado, em aliança com as comunidades e serviços públicos.
A ausência de um projeto de país é um dos estorvos à luta política contra a regressão do Brasil e o ascenso da ultra direita. O debate de 7/7 revelou que o entrave pode ser superado mesmo em temas críticos, e aparentemente muito difíceis. A série de seminários da Escola de Sociologia e Política e Outras Palavras prossegue em 14/7, quanto Ildo Sauer e William Nozaki debaterão meios de Retomar o controle público sobre a Energia e o Petróleo.







