Por Carlos Eduardo Alves, jornalista, para o Bem Blogado
O governo Lula vem tomando a iniciativa para não se limitar ao discurso de apenas responsabilizar a desigualdade social pela violência. Um exemplo é a operação que desarticulou os laços do paulista PCC com a Faria Lima, centro financeiro do Brasil. O traficante do morro ou periferia hoje obedece a um desenho que desemboca no tal mercado.
A inacreditável chacina promovida pelo governador fascista do Rio de Janeiro provocou justa indignação de quem tem um mínimo de apreço por normas mínimas de civilidade. A cena de cadáveres decepados permanecerão para sempre no lugar mais triste da História do Brasil. O repúdio à postura medieval de Cláudio Castro, porém, não deve tapar os olhos dos setores progressistas para a gravidade do problema da segurança pública no País.
A extrema-direita é ignorante em tudo, mas não é burra. Sabe que a questão da segurança pública ocupa hoje um lugar de destaque entre as maiores preocupações da população, especialmente a que mora nos grandes centros urbanos.
O Rio de Janeiro, é verdade, tem características próprias geográficas e políticas que agravam a questão. Há dezenas de anos, os fluminenses são governados pelo que há de pior na Política. E no aparato policial a verdade é que, em grande parte, é difícil distinguir quem é mocinho ou bandido.
A promiscuidade entre políticos, milícias e crime organizado atingiu um ponto insuportável e quem paga o preço são os moradores das comunidades miseráveis do Rio, especialmente os negros.
Durante anos, a esquerda limitou-se ao discurso, correto, de que a violência é causada pela desigualdade social. Permanece verdade, mas já não é suficiente. Em algumas áreas, o crime organizado tomou o papel do Estado, é o maior empregador de jovens sem qualquer perspectiva de futuro, com previsível vida curta.
A solução é difícil, mas sem dúvida não é promovendo 121 mortes de uma vez, como fez o governador fascista em País que não prevê a pena de morte.
O governo Lula vem tomando a iniciativa para não se limitar ao discurso de apenas responsabilizar a desigualdade social pela violência. Um exemplo é a operação que desarticulou os laços do paulista PCC com a Faria Lima, centro financeiro do Brasil. O traficante do morro ou periferia hoje obedece a um desenho que desemboca no tal mercado.
A indústria de lavagem do dinheiro se expandiu e já não basta acreditar que massacres de soldados do tráfico bastarão para resolver o problema. Alguém com mais de dois neurônios aposta que o Comando Vermelho acabará depois das 121 mortes?
No caso específico do Rio, é evidente que não haverá solução sem uma ampla reformulação, mas ampla mesmo, de todo o aparato das Polícias Civil e Militar. O grau de corrupção e conivência ou mesmo participação das forças com o crime torna quimeras as tentativas de trazer a paz aos moradores de comunidade sem tratar a ferida. Há exceções, é óbvio, mas a corporação policial fluminense está infectada e é preciso cuidar com urgência dessa doença.
A direita já percebeu que, no ritmo atual, vai ser difícil bater de frente com Lula em 2026 em temas como Economia, emprego, soberania, relações internacionais, respeito à Constituição, Cidadania etc. A pauta fascista nas próximas eleições será basicamente a de segurança.
É aí que o discurso rasteiro dos trogloditas tentará enganar o povo. E, não nos enganemos, o mantra do “bandido bom é bandido morto” ressoa até em boa parte da gente pobre. Solução enganosa, mas que tem receptividade. Não é à toa que a questão segurança mobiliza muitos. Na atual e lamentável Câmara dos Deputados é impressionante a quantidade da fascistas com mandato que se identificam como “delegado”, “general”, “sargento”, “tenente”, “major”, “cabo”, “coronel”, “comandante”…
Com raríssimas exceções, portadores das piores ideias, 98% fascistas juramentados. Assim, não é possível mais se limitar ao discurso antigo na hora de analisar o crime organizado. Cabe ao governo, como tem feito, investir em inteligência paraenfrentar o que se transformou em drama de fato para os trabalhadores que moram em áreas pobres, desassistidas completamente.
A barbárie de Cláudio Castro é apenas barbárie. Não terminará com o crime organizado, que de resto continua firme e forte em todo o mundo, mas está de fato lançado um desafio, já não tão novo, para as forças de esquerda.
Como encarar o tema e garantir a paz para os pobres que já vivem em estado econômico anêmico e que são submetidos à rotina de enterrar seus filhos?







