Por René Ruschel, jornalista
O ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal, Silvinei Vasquez, foi preso na manhã desta sexta- feira, 26, em Asunción, no Paraguai, após permanecer foragido da Justiça brasileira.
Ele foi condenado pelo STF a 24 anos e 6 meses de prisão e pretendia embarcar para El Salvador. A captura ocorreu depois de ele romper a tornozeleira eletrônica que monitorava suas movimentações, descumprindo decisão judicial e confirmando, na prática, o desprezo pelas regras que dizia defender quando ocupava cargo público.
As autoridades investigam ainda o uso de passaporte falso para viabilizar a fuga do país, o que amplia a gravidade do caso e reforça a suspeita de uma estratégia deliberada para escapar da responsabilização penal.O episódio soma-se a outras apurações que envolvem o ex-dirigente da PRF por sua atuação durante o último governo, período marcado por interferências políticas em órgãos de Estado.
O roteiro é conhecido e, por isso mesmo, irônico. Discursos inflamados sobre lei e ordem cedem lugar à correria quando a Justiça se aproxima. Não resistem ao peso das próprias escolhas e não respondem pelos próprios atos.
Preferem a clandestinidade, documentos falsos e fronteiras estrangeiras a enfrentar os processos legais. A prisão em Asunción evidencia que bravatas não substituem responsabilidade.
Em um Estado democrático de direito cargo não concede imunidade e a fuga apenas aprofunda a culpa.
A Justiça segue seu curso, ainda que alguns insistam em correr dela.







