Suruba na pandemia: o Brasil morrendo e o candido em festa negociando a vacina Covaxin

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Reportagem da piauí revela que empresários interessados em vender vacinas ao governo organizaram passeio de luxo para Flávio Bolsonaro, que teria recebido um relógio Rolex de presente

Por Oscar de Barros, compartilhado de Pensar Piauí




Flávio Bolsonaro em festa

Uma reportagem publicada nesta quarta-feira (21) pela revista piauí revela que o senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) participou de um churrasco em uma lancha, no Lago Paranoá, em Brasília, ao lado de empresários interessados em negociar vacinas contra a Covid-19 com o governo de seu pai, Jair Bolsonaro. O encontro, realizado em 17 de julho de 2020, contou com três garotas de programa trazidas de São Paulo.

A investigação é assinada pelos jornalistas João Batista Jr., Ana Clara Costa e Breno Pires.

Naquele momento, o Brasil atravessava uma das fases mais dramáticas da pandemia. No dia anterior ao passeio, o país havia registrado 1.299 mortes por Covid-19, acumulando 76.822 vítimas fatais.

Enquanto milhares de famílias enfrentavam o luto, empresários ligados à Precisa Medicamentos organizavam uma confraternização para agradar ao filho do presidente da República.

Os responsáveis pela iniciativa eram Danilo Berndt Trento e Francisco Maximiano, respectivamente diretor institucional e proprietário da Precisa Medicamentos, empresa que buscava fechar negócios com o governo federal envolvendo a vacina indiana Covaxin.

Segundo a revista, os empresários contrataram o agente de viagens Raphael Barão para organizar o passeio, incluindo o transporte de três garotas de programa em um jatinho executivo que saiu de São Paulo para Brasília.

No dia seguinte, Flávio Bolsonaro embarcou na lancha acompanhado de Alexandre Santini, seu amigo e então sócio em uma franquia da Kopenhagen.

Durante o passeio, foram servidas bebidas alcoólicas e comidas. A reportagem afirma, com base em seus relatos e documentos, que Flávio desceu à cabine da embarcação acompanhado de mulheres que participavam do encontro.

Ao final da confraternização, Danilo Trento teria retirado do próprio pulso um relógio Rolex e presenteado Flávio Bolsonaro, que deixou a embarcação usando o acessório.

A revista afirma ter reconstruído o episódio a partir do depoimento de uma pessoa presente na lancha, registros de voos, quebras de sigilo analisadas por comissões parlamentares e entrevistas com outras fontes.

O negócio das vacinas

O episódio ganha dimensão política porque os organizadores da festa tinham interesses comerciais junto ao governo Bolsonaro.

A Precisa Medicamentos negociava o fornecimento da Covaxin ao Ministério da Saúde. O contrato previa o pagamento de aproximadamente R$ 80 por dose, valor superior ao de outras vacinas negociadas naquele período.

O acordo acabou envolvido em suspeitas de irregularidades investigadas pela CPI da Pandemia. Nenhum pagamento chegou a ser realizado.

Durante os trabalhos da comissão, Flávio Bolsonaro defendeu publicamente a empresa e elogiou uma de suas representantes.

A reportagem também revela que, três meses depois do passeio, o senador intermediou uma reunião de Francisco Maximiano com o então presidente do BNDES, Gustavo Montezano, para discutir possibilidades de financiamento de um empreendimento na área de telecomunicações.

Flávio reconheceu anteriormente ter solicitado a reunião, mas negou manter relações comerciais ou financeiras com Maximiano. Nenhum financiamento foi contratado.

O relatório final da CPI da Pandemia recomendou o indiciamento de Flávio Bolsonaro, Danilo Trento e Francisco Maximiano.

O silêncio do candidato

Procurado pela revista piauí, Flávio Bolsonaro não se manifestou até o fechamento da reportagem. Danilo Trento interrompeu a comunicação após tomar conhecimento dos detalhes da investigação. Os representantes de Francisco Maximiano também não responderam.

A revelação levanta questionamentos sobre a proximidade entre políticos e empresários interessados em contratos públicos, especialmente durante uma emergência sanitária que custou centenas de milhares de vidas brasileiras.

Fonte: Revista piauí, reportagem Uma tarde no lago, publicada em 21 de outubro de 2026. 

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