Governo Lula inicia distribuição de nove medicamentos oncológicos de alta tecnologia. Medida beneficiará mais de 116 mil pacientes e terá expansão até dezembro.
Alexandre Padilha assinando a ampliação. Crédito: Rafael Nascimento (MS)
Os tratamentos contra o câncer oferecidos pelo SUS ganham um importante reforço com a chegada de nove medicamentos de alta tecnologia à rede pública. A iniciativa do governo Lula deverá beneficiar mais de 116 mil brasileiros, ampliando as possibilidades terapêuticas para diferentes tipos de tumores.
A medida representa a maior ampliação tecnológica já anunciada para o tratamento oncológico no sistema público. Também enfrenta uma situação antiga: medicamentos aprovados para utilização no SUS permaneciam, em alguns casos, indisponíveis aos pacientes havia mais de uma década.
Tratamentos que custam até R$ 366 mil
Entre os medicamentos está o Abemaciclibe, utilizado contra determinados tipos de câncer de mama. Na rede privada, seu custo pode alcançar R$ 366 mil, valor inacessível para a imensa maioria das famílias brasileiras.
A nova oferta contempla ainda tratamentos para câncer de próstata, pulmão, rins, estômago e tireoide, além de linfomas e outros tumores. São 13 indicações terapêuticas, destinadas a melhorar a qualidade de vida, prolongar a sobrevida e, em determinadas situações, reduzir o risco de retorno da doença.
O investimento anual previsto para os primeiros nove medicamentos alcança R$ 155,4 milhões. Já a ampliação completa, envolvendo 23 produtos, deverá representar aproximadamente R$ 4 bilhões por ano.
Atendimento começa em 17 estados
A distribuição inicial alcança 20 centros especializados, espalhados pelas cinco regiões brasileiras. O Rio Grande do Sul integra a primeira etapa, ao lado de outros 16 estados e do Distrito Federal, com expansão prevista para os demais serviços até dezembro.
Em Porto Alegre, o anúncio teve atividades no Grupo Hospitalar Conceição. O secretário Felipe Proenço destacou a importância da ampliação para o Estado, que apresenta elevada incidência de câncer.
A iniciativa integra o programa Agora Tem Especialistas, criado em 2025 para reduzir a espera por consultas, diagnósticos e tratamentos. O Ministério também reorganizou a compra e a distribuição dos medicamentos, buscando ampliar o acesso e reduzir custos.
O ministro Alexandre Padilha destacou que a modernização permitirá oferecer tratamentos mais adequados e diagnósticos precisos. A proposta é fortalecer a estrutura pública e garantir atendimento no momento necessário.
A ampliação representa um avanço na democratização da medicina de alta complexidade. Tratamentos antes restritos a quem podia pagar valores elevados passam a integrar a assistência pública, reafirmando a saúde como direito da população.
* Redator: Solon Saldanha







