Tarifaço de Trump expõe extorsão econômica e testa a soberania brasileira

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Moção de louvor na Câmara contrasta com reação de Lula; tarifas miram Brasil, UE e parceiros, fortalecem Brics e escancaram limites da OMC

Por Paulo Cannabrava Filho, compartilhado de Diálogos do Sul




Foto: Se os EUA fecham portas, China, Índia e Rússia abrem janelas de financiamento, infraestrutura e mercado. O tarifaço de Trump é gasolina no motor desse realinhamento. (Imagem: Flickr)

Um atropelo à ordem econômica mundial

Donald Trump puxou o gatilho de mais um tarifaço: sobretaxa de até 50% sobre importações brasileiras (aço, alumínio e produtos industrializados) – em represália à participação no Brics – além de taxar em 30% União Europeia, México, Coreia do Sul e boa parte da Ásia. 

É uma agressão frontal às regras que ainda sustentam o comércio global – ou o que resta delas. O gesto unilateral atropela a Organização Mundial do Comércio (OMC), já debilitada, e obriga cada país a correr atrás de soluções por conta própria.

Contradições em Brasília: moção de louvor a Trump

Na véspera do anúncio, a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara aprovou moção de “louvor e regozijo” ao governo Trump. Ironia fina: aplaudir quem, no dia seguinte, crava faca de 50% na indústria nacional. É o Brasil oficial flertando com o algoz enquanto empresários contam as moedas para pagar a conta.

Lula devolve a carta: símbolo de soberania

A carta enviada pela Embaixada dos EUA – ofensiva em tom e conteúdo – recebeu de Lula o destino merecido: volta ao remetente. O gesto simples carrega peso político: não vai ter tapete vermelho para extorsão. O Planalto deixou claro que reciprocidade está na mesa, amparada pela Lei da Reciprocidade aprovada e regulamentada este ano.

Empresariado pede tempo, governo prega negociação

Sob pressão, ministros e representantes da indústria sentaram-se para negociar. Querem, no mínimo, prorrogar a entrada em vigor das tarifas além de 1º de agosto. A União Europeia fez o mesmo: engavetou retaliações até agosto alegando “tempo para diálogo”. No tabuleiro, cada semana comprada vale milhões.

Extorsão global: ultimato de 50 dias e ameaças à Rússia

No mesmo pacote, Trump deu 50 dias para Moscou encerrar a guerra na Ucrânia – sob pena de tarifar não só a Rússia, mas todos que façam negócio com ela. Extorsão diplomática com etiqueta Made in USA. Vice-chanceler Serguei Riabkov classificou o ultimato de inaceitável; Dmitri Medvedev chamou a bravata de teatro.

Otan entra em cena: sanções a quem negociar com Moscou

O novo secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Mark Rutte, engrossa o coro: Brasil, China e outros parceiros podem sofrer sanções se mantiverem comércio com a Rússia. A tentativa é isolar Moscou – e, de tabela, enquadrar emergentes que não se curvam à Casa Branca.

Balança comercial: números desmentem Trump

Trump alega déficit dos EUA com o Brasil. Fato: nos últimos dez anos, o superávit foi estadunidense. Em 2024, por exemplo, Washington vendeu cerca de US$ 38 bi e comprou US$ 34 bi — saldo favorável de US$ 4 bi para eles. A narrativa do prejuízo é fake news diplomática.

Brics ganha fôlego

A agressividade tarifária acelera o movimento que mais preocupa Washington: aproxima emergentes em torno do Brics. Se os EUA fecham portas, China, Índia e Rússia abrem janelas de financiamento, infraestrutura e mercado. O tarifaço de Trump é gasolina no motor desse realinhamento.

A hora da soberania

Para o Brasil, a discussão deixa de ser técnica e vira questão de soberania. Nacionalismo, sim – mas sem cair no isolacionismo. A tarefa de Sidônio Palmeira, na Secretaria de Comunicação Social (Secom), é ressignificar o discurso: defender interesses nacionais não é populismo; é dever de Estado.

Conclusão provisória

O tarifaço de Trump escancara a natureza extorsiva da política comercial dos EUA e testa a maturidade do Brasil em responder com firmeza e inteligência. Reciprocidade calibrada, defesa da indústria e integração Sul-Sul formam o tripé de um caminho que preserve emprego, tecnologia e dignidade nacional.

* Artigo redigido com auxílio do ChatGPT.

Paulo Cannabrava FilhoIniciou a carreira como repórter no jornal O Tempo, em 1957. Quatro anos depois, integrou a primeira equipe de correspondentes da agência Prensa Latina. Hoje dirige a revista eletrônica Diálogos do Sul Global, inspirada no projeto Cadernos do Terceiro Mundo.

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