Terror midiático: como você pode ser preso em Dubai apenas por usar um Smartphone

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Por Walter Falceta, jornalista




  • Muita gente por aqui, inclusive do chamado campo progressista, inclinou-se à beatificação ingênua da Ucrânia, especialmente nos primeiros anos dessa guerra.

Na época, toda informação que divergisse das versões da OTAN foi censurada. E os mensageiros, jornalistas, acadêmicos ou testemunhas comuns, foram cancelados ou reprimidos.

Agências, sites e portais que contestassem a ucranofilia foram simplesmente cortados da malha cibernética.

Não é muito diferente do que está ocorrendo agora, por ocasião das agressões de EUA e Israel à nação iraniana.

A mídia corporativa dá como verdade irrefutável qualquer peça de propaganda lançada por Trump ou Netanyahu.

Ao contrário, ignora ou lança suspeita imediata sobre qualquer informação que tenha origem no país atacado ou em narrativas neutras.

O Middle East Eye, uma das poucas fontes descontaminadas de informação sobre a guerra no Oriente Médio, conta esta interessante historia de repressão na terra dos xeques magnatas.


Turista britânico enfrenta pena de prisão em Dubai por ‘filmar mísseis iranianos

PorImran Mulla
12 de março de 2026,

Um homem de Londres, de 60 anos, foi acusado, juntamente com outras 20 pessoas, por vídeos e publicações online relacionados a ataques com mísseis em Dubai.

Um turista britânico enfrenta dois anos de prisão em Dubai por supostamente filmar mísseis atingindo a cidade, em meio à repressão dos Emirados Árabes Unidos contra aqueles que compartilham o que chamam de “rumores”.

O londrino, de 60 anos, foi preso na noite de segunda-feira e acusado juntamente com outras 20 pessoas por vídeos e publicações online relacionados aos ataques de mísseis iranianos contra Dubai.

Segundo relatos, ele apagou o vídeo imediatamente quando solicitado e insistiu que não tinha intenção de infringir a lei.

O homem, cujo nome não foi divulgado, é acusado de “divulgar, publicar, republicar ou circular rumores ou propaganda provocativa que possam perturbar a segurança pública”, crime que prevê pena máxima de dois anos de prisão.

Os Emirados Árabes Unidos afirmaram que irão prender qualquer pessoa que compartilhe informações que “resultem em incitar pânico entre as pessoas”.

Cerca de 240 mil expatriados britânicos vivem em Dubai, cidade que atualmente é alvo de ataques com mísseis e drones iranianos.

Radha Stirling, CEO do grupo de defesa Detained in Dubai, afirmou: “De acordo com as leis de crimes cibernéticos dos Emirados Árabes Unidos, uma única publicação pode levar a várias prisões. Qualquer pessoa que compartilhe, republique ou comente o mesmo conteúdo pode enfrentar as mesmas acusações e ter seu nome incluído na mesma lista de indiciamentos.”

“As acusações são vagas e abrangentes, mas não deixam de ser graves”, disse ela. “Os acusados ​​podem enfrentar longas penas de prisão.”

“Os residentes também podem ser detidos ao abrigo das leis de segurança nacional, mantidos em prisão preventiva por tempo indeterminado, impedidos de entrar na embaixada e sujeitos a violações dos direitos humanos. Em tempos de tensão, recomenda-se extrema cautela.”

Andreas Krieg, professor associado do Departamento de Estudos de Defesa do King’s College London, afirmou : “Os Emirados Árabes Unidos deveriam ser mais inteligentes do que prender um turista britânico por um crime cibernético num momento em que precisam tranquilizar os expatriados para que permaneçam e/ou retornem a Dubai”.

A imagem global de Dubai como um centro de negócios seguro e livre de impostos, além de um paraíso turístico, foi abalada nas últimas duas semanas, com ataques de mísseis e drones iranianos a edifícios como o aeroporto da cidade e o icônico hotel Fairmont em Palm Jumeirah.

Os ataques iranianos mataram pelo menos 12 civis nos países do Golfo. Nos Emirados Árabes Unidos, todas as vítimas civis eram trabalhadores migrantes.

O governo lançou uma grande ofensiva contra postagens e vídeos nas redes sociais que retratam os ataques, numa tentativa de limitar os danos à reputação do país.

Em vez disso, influenciadores ocidentais em Dubai têm compartilhado posts e vídeos pró-governo elogiando o líder de Dubai, o xeque Mohammed bin Rashid Al Maktoum.”

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