Por Washington Luiz de Araújo e Américo Vermelho, jornalistas
Vamos aqui fazer uma curadoria de textos do nosso blog que viveu ativamente de 2008 a 2018, o Tire as Mãos do Meu Pé Sujo espaço democrático dos defensores dos botecos.
Criado por estes que vos teclam, intrépidos frequentadores de pés sujos, Washington Luiz de Araújo e Américo Vermelho, o Rolling Stone dos blogues jamais pendurou o copo, mas está dando um tempo no balcão da vida, sem pedir a saideira.
Sendo assim, vamos recordar os melhores momentos (todos?) deste blog agora no Bem Blogado. Semanalmente, traremos uma postagem daqueles áureos tempos, nos quais a felicidade era líquida e certa.
Ah, o blog, sediado na Adega da Praça da São Salvador (RJ), foi idealizado como balcão de resistência dos pés sujos na luta contra os moinhos dos boutiques de chope. Amealhou correspondentes no Brasil e no mundo, como vocês verão nas próximas postagens.
Radicais, tínhamos um modus operandi: se entrássemos num boteco e o banheiro estive brilhando, limpíssimo, com cheiro de pinho-sol, íamos embora, pois a cerveja estaria quente e o bolinho frio. Afinal, dono de pé sujo que se preza tem mais o que fazer do que lustrar banheiro. Mais uma batalha perdida por estes Dom Quixote e Sancho Pança dos botecos (não perguntem quem é quem, pois não sabemos).
Para início, vamos publicar o hino do Tire as Mãos do Meu Pé Sujo:
Tire as mãos do meu pé sujo
Não venha com esta dinheirada
Não quero nome, sou um dito cujo
Deixe eu beber minha gelada
Tire as mãos do meu pé sujo
Vá pra lá com a sua limpeza
Não quero garçon sabujo
Só quero gelada na mesa
Tire as mãos do meu pé sujo
Quero garrafas em pilhas
No bar do Pereira ou do Araújo
Ovo pintado, fritas de trilhas
Tire a mão do meu pé sujo
Fora chope de boutique
Vivo a passos de caramujo
Mas saúdo, hic, hic
Tire as mãos do meu pé sujo
Fecho as portas, não sou otário
Se vier com dinheiro, fujo
Quero amigos, não mercenário







