Trump bombardeia hospital para tratar crianças com câncer no Irã

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Vídeos mostram pacientes com acessos de quimioterapia evacuados em Ahvaz; 211 pessoas tiveram o tratamento interrompido

Por Diego Feijó de Abreu, compartilhado de Fórum




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Trump bombardeia – Donald Trump -Foto: Official White House Photo by Molly Riley

Donald Trump ordenou a ofensiva dos Estados Unidos que atingiu as imediações do Hospital Shahid Baqaei, centro de referência no tratamento de crianças com câncer em Ahvaz, no sudoeste do Irã. O bombardeio forçou a evacuação emergencial de 211 pacientes submetidos a quimioterapia na noite desta quarta-feira (15).

Imagens e vídeos divulgados nas redes sociais mostram crianças deixando a unidade em macas, cadeiras de rodas ou nos braços de familiares. Algumas ainda carregam acessos intravenosos e bolsas usadas no tratamento. A Reuters confirmou que os ataques americanos atingiram uma área próxima ao hospital e levaram à interrupção temporária do atendimento.

O registro acima mostra a retirada de pacientes do Hospital Shahid Baqaei após os ataques americanos em Ahvaz. As cenas expõem a dimensão humana da ofensiva: crianças em tratamento contra o câncer são levadas para fora do ambiente hospitalar em meio ao medo de novas explosões.

Trump bombardeia e vídeos mostram crianças evacuadas

Em um dos vídeos mais fortes, pacientes aparecem concentrados em uma área externa da unidade, acompanhados por familiares e profissionais de saúde. Máscaras, cadeiras de rodas, suportes de soro e cobertores formam uma imagem distante da linguagem militar de “alvos de precisão” usada para descrever a ofensiva.

Outro registro mostra a movimentação dentro e fora do hospital durante a evacuação. A retirada ocorreu enquanto explosões eram relatadas em diferentes pontos de Ahvaz, capital da província do Khuzistão.

A televisão estatal iraniana IRIB informou que famílias precisaram levar as crianças para as ruas após os ataques. A Universidade de Ciências Médicas de Ahvaz comunicou que o hospital foi temporariamente retirado de funcionamento para proteger pacientes e funcionários.

Segundo a agência iraniana Fars, projéteis caíram nas proximidades do Hospital Shahid Baqaei. Médicos, enfermeiros e familiares participaram da transferência dos pacientes para outra unidade.

211 pacientes em quimioterapia tiveram de deixar hospital

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou que 211 pacientes em tratamento quimioterápico foram retirados às pressas. Ele classificou o ataque americano como um “crime de guerra covarde” contra crianças que lutam pela própria vida.

“O Hospital Shahid Baqaei, um centro de tratamento de câncer infantil em Ahvaz, foi evacuado depois que os Estados Unidos atacaram um local próximo”, afirmou Baghaei.

A denúncia foi publicada pelo porta-voz em uma rede social e repercutida pela imprensa internacional. O governo americano não apresentou, até a publicação desta matéria, uma explicação específica sobre o impacto da operação nas imediações do hospital.

A Press TV reuniu imagens da evacuação e informou que explosões em áreas adjacentes levaram à suspensão do atendimento. O material pode ser consultado na cobertura sobre o Hospital Shahid Baqaei.

A Reuters registrou que o ataque ocorreu durante duas ondas de bombardeios americanos contra o território iraniano. A agência atribuiu à IRIB a informação sobre o hospital e confirmou que famílias saíram às ruas com as crianças durante a evacuação.

Trump amplia ataques enquanto crianças deixam tratamento

O contraste entre a retórica de Trump e as imagens de Ahvaz marca a nova escalada da guerra. Enquanto o presidente americano declarou que o Irã seria “derrotado muito em breve”, crianças submetidas a quimioterapia precisaram abandonar um hospital sob risco de novos ataques.

O Comando Central dos Estados Unidos, o Centcom, afirmou ter atingido centros de comando, sistemas de defesa aérea, estruturas de mísseis e drones e instalações de vigilância costeira. Os militares americanos não incluíram o hospital entre os alvos anunciados.

A informação disponível indica que os projéteis atingiram áreas próximas ao Hospital Shahid Baqaei. As imagens comprovam a evacuação e o impacto sobre os pacientes, mas não permitem determinar isoladamente se houve dano direto ao prédio nem qual instalação era o alvo militar na região.

A Al Jazeera informou que a nova onda de ataques dos Estados Unidos atingiu dezenas de alvos no Irã e deixou mais de 260 feridos, segundo o Ministério da Saúde iraniano. A emissora relatou ainda a retomada do bloqueio americano aos portos do país.

Hospital repete imagem da escola atacada no Irã

A evacuação em Ahvaz recupera outra imagem que marcou a guerra: mochilas escolares usadas para lembrar crianças mortas em uma escola iraniana atingida durante a ofensiva dos Estados Unidos e de Israel.

Jogadores de futebol no Irã entraram em campo com mochilas em homenagem aos estudantes. O gesto transformou um objeto cotidiano da infância em símbolo das vítimas civis da guerra.

Fórum mostrou a homenagem feita por jogadores no futebol iraniano, em uma cidade marcada pelos ataques e pela lembrança das crianças mortas.

Em Ahvaz, a mesma construção simbólica aparece nos vídeos sem necessidade de encenação. No lugar das mochilas, surgem bolsas de soro, máscaras, macas e suportes de quimioterapia. Crianças que deveriam permanecer em um ambiente protegido são levadas para a rua por causa de uma ofensiva militar.

Imagens desmontam linguagem de “ataques de precisão”

As cenas do Hospital Shahid Baqaei tornam visível o que os comunicados militares deixam fora do enquadramento. O ataque pode ter sido anunciado como uma operação contra estruturas militares, mas seu efeito concreto alcançou pacientes frágeis e interrompeu o tratamento de câncer.

A imagem central não é a explosão. É a retirada. Crianças com acessos intravenosos, familiares carregando pertences e profissionais tentando preservar a continuidade do atendimento mostram como uma guerra atravessa o espaço civil mesmo quando o hospital não aparece na lista formal de alvos.

O hospital foi temporariamente desativado por segurança. As autoridades iranianas não divulgaram, até o momento, um balanço definitivo sobre danos estruturais à unidade ou sobre o tempo necessário para a retomada integral do tratamento.

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