Por Cláudio Lovato Filho, escritor e jornalista gaúcho
O Américo Vermelho volta e meia me mandava fotos sobre futebol. Eram registros que ele fazia em suas andanças pelo Brasil e pelo mundo. Meninos wayúu jogando bola em Maracaibo, na Venezula, e em Copacabana; a pelada rolando no Complexo do Alemão e na beira do mar em Cabo Verde…
A última que ele me mandou é a que está nesta postagem. Foi feita no Aterro do Flamengo. Uma imagem tão simples quanto genial, captada e compartilhada pelo grande artista que nunca se esquecia dos amigos, onde quer que ele estivesse, aonde quer que ele fosse.
Ao mesmo tempo em que penso que não receberei mais fotos de futebol enviadas pelo Américo, lembro de seu incrível legado, registros de trabalho e de vida, de ofício e de arte, que são referência e que irão inspirar a muitos no futuro.
O Américo sempre presente.
O gol aguarda os jogadores.
A bola.
O jogo.
O jogo é o que dá o sentido ao gol, à existência da “goleira” (como se diz na minha terra natal).
Os jogos. Todos: os que já passaram por ali e o que estão por vir.
O gol. A goleira.
Duas traves e um travessão.
Quantos sonhos podem caber dentro deste retângulo mágico?
Pois aí está ele, lindamente emoldurado pela natureza e captado pelo olhar do artista em pleno Aterro do Flamengo.
O gol. A goleira. A moldura. O parque. A cidade. O mundo.
A vida.
E a foto foi feita.
E caiu no mundo para desfrute do mundo.
Caiu na vida.
Porque assim manda o espírito do artista: fazer e compartilhar.
E por isso nossa gratidão será eterna.
Gratidão ao amigo, ao artista.
Ao mano velho querido, fotógrafo brilhante, mestre na arte da amizade.
Mensagem enviada pelo Américo Vermelho, juntamente com a foto que inspirou Cláudio Lovato Filho a escrever o belo texto acima.
Claudião, uma contribuição minha pra vc ilustrar suas deliciosas crônicas de futebol.







