Por Carlos Eduardo Alves, jornalista, Bem Blogado
De repente, o cidadão meio desatento olha para o calendário e constata que a hora está chegando. O dia 4 de outubro de 2026 não é mais uma miragem. A data em que o Brasil escolherá entre a barbárie e o futuro está daqui duas esquinas. A eleição presidencial brasileira mais importante de todas no atual século entra na reta final.
E em que ponto estamos? Pelas pesquisas confiáveis e lógica política, Luiz Inácio Lula da Silva permanece como favorito. Para um marciano inteligente, até parece surpreendente que um governo com excelentes indicadores econômicos não tenha vantagem maior, mas só quem não lê o Brasil atual corretamente se espanta.
Estamos num País cindido desde o golpe contra Dilma. As peças pouco se movem para um lado ou outro. A Lula não basta comandar uma administração eficiente, a luta é ideológica na raiz.
Qual outra explicação para que a eleição não seja apenas ato democrático homologatório, principalmente diante de seu principal adversário, manchado desde o nascimento pela corrupção, truculência e ignorância?
O crescimento eleitoral de Lula tem lógica histórica. É comum os governantes que concorrem à reeleição avançarem quando se aproxima a data do pleito. Tivemos um exemplo recente em 2022, quando o genocida quase encostou em Lula.
Quem está no Poder tem armas para manejar que o adversário não dispõe. É a lei da Política eleitoral. E o líder petista tem experiência e habilidade para utilizar essa vantagem.
Isso quer dizer que a eleição está ganha? NÃO. Longe ainda disso. Os dois meses que virão terão como condimento a mais suja das campanhas já historicamente distantes do asseio moral no Brasil.
A elite econômica não tem pudor algum em endossar e financiar um imoral qualquer contra Lula. No probabilíssimo segundo turno, todo reacionarismo se unirá contra o atual presidente da República.
E, nunca esqueçamos, já se disse sabiamente que no Brasil até o futuro é incerto. Por isso, é preciso combater com força a ideia de que Lula já está reeleito. A acomodação em disputa tão transcendental cobra um preço impagável.
Duas tarefas são principais, para dois agentes diferentes, nos próximos dois meses. A primeira cabe à direção política. Uma campanha de comunicação eficiente para enfrentar a, reconheçamos, bem azeitada máquina de mentiras da extrema direita.
E também não é hora de falar bobagens que não repercutem muito em outros períodos, mas em época de eleição, ainda mais acirrada, podem causar muito dano. Sem medo mas também devemos evitar se portar como boquirroto de quermesse.
A outra tarefa cabe aos militantes e pessoas que simplesmente querem evitar a tragédia que seria a volta de corruptos e genocidas ao Palácio do Planalto. É preciso se mobilizar.
Não se vence disputa eleitoral para presidente com a bunda no sofá. Parte da esquerda se acomodou nos últimos anos, como se bastasse a figura gigantesca de Lula para ganhar.
Lula é tudo isso, pode muito mas não pode tudo. Um cochilo incabível e o Brasil anda para trás. É fazer a campanha sem sectarismo, nunca esquecer que no Brasil cindido os votos da esquerda somente não elegem Lula.
Precisamos convencer uma parte de centro que não quer a volta do bolsonarismo. Atrair esse pessoal, sem soberba.
Usando expressão de camaradas antigos, as condições objetivas para um triunfo em outubro estão dadas. É só saber jogar. Afinal, não é uma disputa qualquer. Estamos diante de uma encruzilhada entre paz e o medieval. Depende de nós evitar o desastre.






