A direita está no mato sem cachorro: o embate está entre Bozo e o maior líder popular brasileiro

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Por Carlos Eduardo Alves, jornalista, Bem  Blogado

A entrada de Lula em campo para o jogo presidencial de 2002 desnudou por completo o verdadeiro drama da direita tradicional no tabuleiro político. Não há um único nome desse campo que se mostre hoje capaz de furar a previsível polarização entre Bozo genocida e o provável candidato do PT.




Vamos então à repetitiva observação cautelosa e liminar. No Brasil maluco, sempre é possível um fato novo (tapetão contra Lula, novo escândalo da família miliciana, facada  etc). Feita a liminar, porém, é muito difícil que surja alguma surpresa. Política, mesmo no Brasil, tem sua lógica.

O genocida, apesar da matança em curso e do governo caótico, mantém uma aprovação firme em torno de no mínimo 30% da população. É improvável, muito, que esses fanáticos o abandonem.

Lula teve roubada a eleição de 2018, quando todas as pesquisas indicavam uma vitória sua, provavelmente em primeiro turno. É difícil imaginar, em palpite conservador, que o ex-presidente da República, livre para percorrer o País em campanha e falando ao povo como só ele sabe, teria menos que uns 35% na primeira rodada.

Com a soma da extrema direita e do petismo ampliado (Lula eleitoralmente é maior do que o partido), o que sobra para os outros possíveis postulantes?

O genocida na última eleição já destroçou a antiga polarização PT x PSDB. Os tucanos foram aniquilados. Hoje se confirma uma antiga suspeita: o PSDB hospedou durante anos o voto da extrema direita antipetista e antilulista. Não eram apoios a uma pretensa legenda de “centro”.

Reacionários votavam no PSDB na falta de uma voz ideológica com que se identificam. Era uma espécie de moradia provisória ou de aluguel. Quando a casa própria chegasse, a relação seria cortada. Foi o que aconteceu.

O genocida vocalizou a ignorância então abrigada no PSDB e os tucanos foram reduzidos, na eleição presidencial de 2018, a um partido nanico com o vexame de Geraldo Alckmin.

A mídia hegemônica e a elite econômica passaram recibo do alvoroço com a nova realidade, com Lula na cédula. Doria tenta surfar na vacinação contra a Covid, para isso expondo o Instituto Butantan a vexames criminosos, mas não deslancha.

Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul, tem muito pouco tempo para se viabilizar como nome nacional e peitar os bons de voto como Lula e o genocida (sim, para bem enfrentá-lo é preciso que se aceite como dolorosa verdade que o fascista tem base popular).

Sobram sonhos como Luciano Huck e uma possível outra invenção para a direita tradicional.

Já nem tão em silêncio sobre seu sonho, Ciro Gomes percebeu desde 2018 que a direita não tem candidato viável. Está abrindo pontes ali. Pela esquerda, a irrupção do furacão Lula fechou-lhe as portas. Se vai conseguir, não se sabe.

Para obter o aval da turma do dinheiro, Ciro terá que abrir mão de muitos pontos de seu discurso. A tarefa é inglória, até para um político bom de palavras, como é indiscutivelmente Ciro.

A direita convencional só vai adotá-lo em caso de desespero, mas desespero é um sentimento já percebido até na mídia tradicional, que continua servindo ao distinto público a impostura intelectual da falta de uma candidatura de “centro”, que na verdade é uma postulaçao com homens de direita.

O que se busca como “centro” 171 é um Bozo “civilizado” e que mantenha a política econômica antipopular e privatizante de Paulo Guedes.

Tudo junto e misturado, a preços de hoje parece muito provável que a sucessão presidencial em 2022 será resumida na primeira divisão a Lula e o genocida.

Na série B, alguns nanicos, entre eles a velha direita que foi saqueada em votos por Bozo.

Vamos continuar lendo e ouvindo da mídia hegemônica lamentos sobre a “polarização” e a falta de um candidato que ela (a mídia) possa chamar de seu.

Mas o golpe de 2016 destampou os bueiros e dali saíram os ratos que, inquietos, habitavam o PSDB. Entre a cópia e o original, os fascistas, mais numerosos do que se supunha, optaram pela ignorância direta, sem intermediários.

Resta pouca margem de manobra para a direita. E adivinha que, tal como ocorreu em 2018, para quem ela vai correr em 2022 quando a coisa apertar? A diferença é que do outro lado estará Lula, o maior líder popular brasileiro.

 

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