Por René Ruschel, jornalista
O Brasil foi eliminado da Copa do Mundo dentro de campo. Isso faz parte do futebol. O que chama atenção é o que aconteceu depois.Horas após a derrota, a seleção simplesmente se desfez. Jogadores seguiram para férias ou compromissos particulares. Carlo Ancelotti embarcou para o Canadá. Quando o avião da delegação pousou no Rio de Janeiro, havia apenas um atleta a bordo.
Pode parecer um detalhe, mas não é. Os símbolos também66compartilhando o peso da eliminação, o Brasil transmitiu a sensação de que o compromisso terminava no apito final.
Ao longo da Copa, outro aspecto também chamou atenção. Depois de cada jogo, havia dois dias de folga. O descanso é indispensável no esporte de alto rendimento. Mas em um torneio de apenas 39 dias talvez houvesse espaço para mais treinamentos, análises dos adversários e correções de uma equipe que nunca convenceu.O ambiente da delegação reforçou essa impressão. Muitos jogadores permaneceram acompanhados de familiares hospedados em mansões alugadas. Nada há de errado nisso.
Mas a imagem parecia mais próxima de férias do que da maior competição do futebol mundial. Dois dias após a eliminação, as manchetes destacavam a compra de um iate de R$ 120 milhões e de um relógio de US$ 1 milhão por Neymar. São escolhas pessoais. O problema não é o patrimônio, mas o contraste. Enquanto o torcedor ainda tentava entender mais um fracasso, as principais notícias mostravam um universo completamente distante da realidade de quem sofre pela seleção.
A CBF também falhou. Nenhum dirigente apareceu para explicar a eliminação. Não houve entrevista coletiva, nem prestação de contas.Curiosamente, a convocação havia sido transformada em um espetáculo, com palco, convidados e discursos. Para anunciar o sonho, festa. Para explicar o fracasso, silêncio.Trocar técnico ou renovar jogadores pode ser parte da solução.
Mas o problema parece maior. A seleção brasileira precisa recuperar a cultura de compromisso que fez da camisa verde-amarela muito mais do que um uniforme.Ela representa um país. E quem tem o privilégio de vesti-la precisa honrá-la até o último minuto dentro e fora de campo.






