Abraços na memória do Brasil, por Urariano Mota

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Amigos e leitores: os abraços na memória e imagens dessas magníficas pessoas devem ser um longo trabalho coletivo

Por Urariano Mota, compartilhado de GGN




Foto: Projeto Imagens do Silêncio, Uruguai | Foto: Imágenes del Silencio/reprodução

Nesta semana, vimos a notícia de um projeto de fotos que faz uruguaios abraçarem desaparecidos da ditadura. “A memória é importante em todo o mundo e a falta dela, sempre intencional, faz com que nós, humanos, cometamos os mesmos erros e horrores”, dizia o artigo. Que ideia e projeto geniais!Play Video

No Instagram, o projeto se encontra aqui Imágenes del Silencio – Proyecto fotográfico que busca mantener viva la memoria sobre los desaparecidos en la última dictadura uruguaya.

Deveríamos repetir um projeto semelhante no Brasil. E que pessoas mortas pela ditadura mereceriam e merecem o nosso mais fraterno e justo abraço? São tantas, são muitas ternas e eternas, mas de um modo mais próximo do que tenho escrito sinto a falta de um abraço nas fotos e memória de Soledad Barrett Viedma e Jarbas Pereira Marques 

Para Soledad Barrett aqui

Para Jarbas Pereira Marques aqui

Eles estão nos meus romances “Soledad no Recife” e “A mais longa duração da juventude”. 

Mas nestes dias, um dos passos institucionais veio da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos. Ela deu continuidade às solenidades de entrega das certidões de óbito retificadas de pessoas mortas e desaparecidas políticas. As solenidades foram no dia 21 de maio de 2026, em Fortaleza, e no Recife, na OAB, neste 22 de maio. As certidões de óbito retificadas em Pernambuco são das pessoas:

1. Albertino José de Farias  2. Almir Custódio de Lima  3. Amaro Felix Pereira  4. Amaro Luiz de Carvalho  5. Antônio Ferreira Pinto  6. Antônio Henrique Pereira Neto  7. Dilermano Mello do Nascimento    8. Eduardo Collier Filho  9. Evaldo Luiz Ferreira de Souza  10. Ezequias Bezerra da Rocha  11. Fernando Augusto de Santa Cruz Oliveira  12. Francisco das Chagas Pereira  13. Gastone Lúcia de Carvalho Beltrão  14. Ivan Rocha Aguiar  15. Jarbas Pereira Marques    16. João Alfredo Dias    17. João Lucas Alves  18. João Massena Melo  19. João Mendes Araújo    20. João Pedro Teixeira    21. João Roberto Borges de Souza  22. Jonas José de Albuquerque Barros    23. José Bartolomeu Rodrigues de Souza  24. José Dalmo Guimarães Lins    25. José Gomes Teixeira    26. José Inocêncio Barreto    27. José Manoel da Silva    28. José Milton Barbosa    29. José Raimundo da Costa    30. Juarez Rodrigues Coelho  31. Lourdes Maria Wanderley Pontes  32. Luís Alberto Andrade de Sá e Benevides  33. Luiz Almeida Araújo    34. Luiz Gonzaga dos Santos    35. Luiz José da Cunha    36. Manoel Fiel Filho    37. Manoel Lisbôa de Moura  38. Marcos Antônio da Silva Lima    39. Margarida Maria Alves  40. Mariano Joaquim da Silva    41. Miriam Lopes Verbena    42. Newton Eduardo de Oliveira    43. Odijas Carvalho de Souza  44. Pedro Inácio de Araújo  45. Ramires Maranhão do Valle  46. Ranúsia Alves Rodrigues    47. Ruy Frasão Soares  48. Severino Elias de Mello  49. Severino Viana Colou  50. Soledad Barrett Viedma  51. Túlio Roberto Cardoso Quintiliano 52. Umberto de Albuquerque Câmara Neto

Entre estes, foram assassinados no Recife na primeira semana de janeiro de 1973: Evaldo Luiz Ferreira de Souza, Jarbas Pereira Marques, José Manoel da Silva, Soledad Barrett Viedma. Noto que não estão incluídos na relação acima Eudaldo Gomes da Silva e Pauline Reichstul, assassinados na mesma data no Recife.

Em resumo, amigos e leitores: os abraços na memória e imagens dessas magníficas pessoas devem ser um longo trabalho coletivo, que alcança jornalistas, professores, sindicatos, escolas, universidades e escritores.  Do meu limitado lugar, tenho feito o que posso. Mas ninguém é uma ilha. Todos somos necessários para esse mais longo e fraterno abraço.

*Vermelho Abraços na memória do Brasil – Vermelho

Urariano Mota – Escritor, jornalista. Autor de “A mais longa duração da juventude”, “O filho renegado de Deus” e “Soledad no Recife”. Também publicou o “Dicionário Amoroso do Recife”.

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