Por Carlos Eduardo Alves, jornalista
Vamobora, vamobora Olha a hora, Vamobora, vamobora / Vamobora, vamobora Olha a hora, Vamobora, vamobora / Vamoembooooooooora… (Trecho de “Amanhecendo”, da obra musical “Sinfonia Paulistana”, de Billy Blanco)
Estamos a pouco menos de um mês para as eleições gerais, que para surpresa de ninguém que vive no Brasil há pelo menos 15 anos será disputadíssima. E, mais uma vez, a decisão deve ocorrer entre o eleitorado paulista. E nem todos estão fazendo o que podem na seara progressista.
São Paulo decide eleição presidencial por fatores óbvios: reúne o maior contingente populacional, de longe, é o maior centro econômico do País etc. Foi a diferença nem tão grande a favor de Bolsonaro que garantiu a vitória nacional de Lula em 2022. Os genocidas jogavam as fichas numa dianteira de 20 pontos percentuais contra Lula nas urnas paulistas, e no final ela ficou na metade, principalmente pelo triunfo de Lula na cidade de São Paulo, a maior do Brasil. Foram aqueles votos paulistanos que impediram vantagem maior para os adversários, escorados sempre conservadorismo do Interior do Estado.
Em 2022, Lula também contou, no total do Estado, com um bom desempenho nas urnas de Fernando Haddad, que forçou um segundo turno na corrida pelo governo local. Infelizmente, até agora não se vislumbra a mesma situação, Haddad se depara com um adversário que conta com a máquina estadual e a complacência da grande mídia, que praticamente ignora escândalos, a começar pela criminosa privatização da Sabesp.
As pesquisas até agora mostram, com diferenças pequenas, uma vantagem de 5 pontos percentuais de Rachadinha sobre Lula no total do Estado. Se terminar assim, ótimo para o campo popular. Essa dianteira de menos de 2 dígitos será recuperada com as muito expressivas vitórias esperadas nos grandes Estados do Nordeste. Mas não há nenhuma garantia de que o bolsonarismo não vá jogar a vida em São Paulo. É da lógica política que o atual equilíbrio paulista na eleição presidencial pode ser rompido por uma ofensiva reacionária, amparada sempre na difusão de Fake News.
Vai daí que a relevância da batalha paulista parece que ainda não foi percebida por muitos dos eleitores de Lula no Estado de São Paulo. Tirando o ato de lançamento da candidatura, na simbólica São Bernardo do Campo, não houve um único evento massivo por Lula no Estado e, principalmente, na cidade de São Paulo.
Não há razão política para Lula não vencer novamente na maior cidade do País. Tem um governo com números excelentes em quase todos os quesitos importantes, a começar pelo baixíssimo índice de desemprego, questão fundamental para área eminentemente produtiva. São Paulo, o Estado, é, junto com o Sul do País, o adubo do atraso político, sim, mas sempre saiu de seu solo as maiores manifestações do campo popular. Sim, é possível impedir que os genocidas passeiem lá.
A eleição não está ganha, se é possível que algum maluco pense assim. Mas é preciso que a massa progressista saia a campo, especialmente em São Paulo. Um ponto percentual no Estado equivale, no final das contas, à diferença que o adversário pode obter com a soma de vários municípios médios ou grandes em que o voto se decidirá por poucos milhares.
Por tudo isso, espera-se que o eleitorado da esquerda mobilizada paulista se mexa mais. Rua é a única saída. E que os dirigentes da campanha de Lula percebam o risco de suicídio se não se atentarem para os números paulistas.
Foto: Ricardo Stukert, ato com Lula, lançamento de sua campanha na Vila Euclides, 16 de agosto de 2026.







