Brasil pode retirar embaixador na Argentina após Milei chamar Moraes de “lixo”: entenda a crise

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Presidente argentino chamou Lula de “ladrão” durante evento de Flávio Bolsonaro e reacendeu a pior crise diplomática entre os dois países

Compartilhado de URBS Magna




Javier Milei na convenção do PL
O presidente argentino Javier Milei durante convenção que oficializou Flávio Bolsonaro como candidato / Foto: Maria Isabel Oliveira / O Globo | Ao fundo, imagem de IA mostra Jair Bolsonaro, preso por tentativa de golpe de Estado / reprodução |•| Arte Urbs Magna

Arelação entre Brasil e Argentina entrou em sua fase mais tensa em anos depois que o presidente argentino Javier Milei chamou Lula de “ladrão” e o ministro Alexandre de Moraes de “lixo careca” durante um ato de campanha de Flávio Bolsonaro, em São Paulo.

Cresce entre autoridades brasileiras a avaliação de que o próximo passo pode ser a retirada do embaixador em Buenos Aires.

O que Milei disse, exatamente

No sábado (25/jul), na Arena Pacaembú, durante a convenção que oficializou a pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro pelo PL, Milei classificou o governo de Lula de “riesgo Lula”, chamou o presidente brasileiro de “ladrão e presidiário” e pediu ao senador que “pare a lixeira socialista” no país, segundo apurou o Infobae.

O argentino também atacou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), chamando-o de “basura calva [lixo careca]” por ter negado autorização para que ele visitasse Jair Bolsonaro, atualmente em prisão domiciliar.

A reação institucional brasileira

O Partido dos Trabalhadores (PT) divulgou nota classificando as declarações de “inadmissíveis” e afirmando que é “é inaceitável que um chefe de Estado estrangeiro venha ao nosso país” e se dirija de forma desrespeitosa às autoridades constituídas, segundo reproduziu o Ámbito.

O presidente do STF, Luiz Edson Fachin, também se manifestou, classificando de “irrespeitosa” a referência de Milei a Moraes e reafirmando a autonomia do Judiciário brasileiro frente a críticas de atores políticos estrangeiros, conforme apurou o Perfil.

No mesmo fim de semana, o Ministério das Relações Exteriores brasileiro negou vistos a dois funcionários do Departamento de Estado americano que pretendiam se reunir com autoridades eleitorais para discutir o funcionamento das urnas — decisão interpretada como resposta a uma tentativa de ingerência externa no processo eleitoral, segundo o próprio Ámbito, conforme o Urbs Magna havia noticiado.

Por que a retirada do embaixador está sobre a mesa

A hipótese de retirada do embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, não é nova. Em 2024, diante de um episódio parecido — quando Milei participou de um evento da extrema direita ao lado de Jair Bolsonaro em Santa Catarina —, o Itamaraty já havia convocado Bitelli para consultas em Brasília, um gesto que, segundo o próprio ministério, sinaliza problemas graves na interlocução entre os países.

Fontes da diplomacia brasileira ouvidas pelo jornal argentino La Nación já indicavam, naquele momento, que o passo seguinte — caso a escalada não cedesse — seria retirar de fato o embaixador e deixar a embaixada sob um encarregado de negócios, medida que o Brasil não toma desde 1906, quando o Barão do Rio Branco convocou o embaixador brasileiro na Argentina em meio a uma disputa de fronteiras.

O padrão se repete: cada nova ofensa de Milei a Lula em solo brasileiro reabre a mesma engrenagem diplomática, e a diferença agora é o contexto eleitoral — a três meses das eleições de outubro, o discurso de Milei funcionou como um endosso explícito à candidatura de Flávio Bolsonaro, o que transforma um desentendimento entre chefes de Estado em ingerência declarada na disputa presidencial brasileira.

A repetição do roteiro de 2024 — convocação do embaixador, depois avaliação de retirada — sugere que o Itamaraty já tem um protocolo pronto para este tipo de crise, mas que sua eficácia como dissuasão é limitada, já que não impediu Milei de repetir os ataques.

Na Argentina, Javier Milei foi duramente criticado pelas ofensas desferidas ao Executivo e Judiciário em pleno território brasileiro. A exemplo, o perfil no X, @El_Prensero, chama seu presidente de “irresponsável” por colocar “em risco” as relações entre os dois países, pois “o Brasil é o principal parceiro comercial” do país portenho.


O Itamaraty ainda não emitiu nota oficial confirmando ou descartando a retirada do embaixador Julio Bitelli de Buenos Aires.

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