Por Washington Luiz de Araújo, jornalista
Este editor do Bem Blogado esteve durante 11 dias na Ilha de Cuba num grupo com mais cinco companheiras e companheiros. Foi uma viagem em que procuramos mais levar solidariedade do que fazer turismo. Mas foi caminhando por pontos turísticos e por outras cidades, além da capital Havana, que abraçamos e fomors abraçados pelo povo cubano, que vive um momento de muita carência econômica, dado o embargo pelos Estados Unidos que já passa dos 60 anos, e do assodamento do governo Trump em relação à Ilha. Mas, com todo o sofrimento, constatamos que o povo continua de cabeça erguida, mantendo suas característica culturais.
Estão, todas e todos, de braços abertos esperando mais turistas. Pessoas de todo mundo que, infelizmente desde a pandemia e depois do ataque dos EUA à Venezuela, tem número reduzido, têm sido a salvação para as agruras psicológicas e materiais do povo cubano.
A música, como vocês verão em vídeos e fotos está na maioria das esquinas, bares, restaurantes e hotéis da Ilha. “Faz escuro mas eu canto, porque a manhã vai chegar”. Com suas atitudes, mulheres, homens e crianças parafraseiam na prática o nosso poeta Thiago de Mello.
Vamos aqui relatar, em poucas palavras e com imagens o nosso dia a dia na Ilha de Cuba.
Grupo unido na viagem para e por Cuba: Ericson, Graça, Josedalva, Manu, Tereza e este que vos tecla.
I
Recebidos com estas cores do mar. Foto feita do avião nas proximidades de Havana. 29 de Abril/26, 11h51
Chegamos a Havana, em 29 de abril, num vôo do Panamá. No avião, havia um grupo de Belo Horizonte com 51 companheiras e companheiros.
Nós nos hospedamos no Hotel Inglaterra (fotos), a passos da réplica do Capitólio, em Havana Vieja. Hotel que existe desde 1875.
Ficamos muito felizes em conversar com o povo nas ruas, nos restaurantes, nos bares. Estão em dificuldades econômicas sérias, mas sem perder a ternura jamais.
Hasta la Victoria!



II
“Lula Libre. Bolsonaro Fascista”. Este já é um jargão nas ruas de Havana quando as pessoas sabem que somos brasileiros. Lula Livre ficou no imaginário do povo daqui e o “Bolsonaro Fascista” também.
Caminhamos pelas ruas de Havana, conversando com as pessoas e ouvindo os músicos nas ruas.
A noite fomos no show do Buena Vista Social Clube, maravilhoso.
De manhã, recebemos no hotel a cubana com laços brasileiros Dulce Maria, que falou da grave situação atual imposta pelos EUA, da resistência e da solidariedade dos povos de outros países.
Economista aposentada, Dulce tem duas filhas: uma é médica, diretora de uma policlínica, e a outra, cientista.
Vejam aqui o depoimento de Dulce para o Bem Blogado, vúideo do show do Buena Vista Social Club e também vídeo de um grupo de músicos que vestiu a camiseta Respeita Paquetá. Homenagem de Ilha para Ilha. Corações ilhados, mas unidos pela mesma vibração e causa.
III
No Primeiro de Maio, acordamos bem cedo para a manifestação. Aqui, o ato tem início às 07 da manhã e se encerra pontualmente às 09.
Falou-se em um milhão no Malecon, na frente da embaixada dos EUA. Foi uma bela manifestação. Encontramos muitios brasileiros.
Depois fomos rever os hotéis Nacional e Habana Libre. Em seguida, andamos por Havana.
A noite fomos ver o Canhonaço. Todos os dias, em Havana, às 21:00, há uma encenação com tiro de canhão no Forte da Cidade.
Encerramos com um belo jantar no Restaurante Los Nardos. Não confundir com Los Narcos, pedem humoradamente os cubanos.
No final, na calçada do hotel, lógico, muita música cubana.
Bom dia, boa tarde, boa noite!


IV
Em 02 de maio fizemos um circuito com o guia turístico Leandro Labrada por Havana. Visitamos praças e monumentos históricos.
Cuba está repleta de homenagens a grandes personalidades, principalmente da independência contra a Espanha e da Revolução de 1959.
Aprendemos um pouco mais da história de lutas e de solidariedade cubana.
O guia turístico Leandro é formado em literatura inglesa e fala muito bem o Português.
Fotos na ordem:
Manu, Ericson, Josi, Graça e Washington, ladeando o Cavaleiro de Paris, uma personalidade cubana nos moldes do “Gentileza”.
Casa onde morou Che Guevara
Mural na Escola Infantil Camilo Cienfuegos
Na sorveteria Coppelia. Manu, Josi, Graça, Teresa,Ericson e Washington
Com o ator e bailarino espanhol, Antônio Gades, grande amigo de Fidel e do povo cubano.






V
Tive o prazer em comemorar a passagem dos meus 6.8, no 03 de maio, com amigas e amigos no Complexo das Terrazas – Reserva da Biosfera da Serra do Rosário, a 70 km de Havana.
Lugar de paz total, o local onde moravam campesinos em situação de penúria até a Revolução Cubana hoje está totalmente preservado, com os seus 1040 moradores vivendo com dignidade. Saúde, educação e habitação para todos. O governo revolucionário proporcionou confortáveis apartamentos para este povo que vivia em paupérrimas choupanas antes de 1959.
O projeto habitacional e paisagístico é do irmão do revolucionário Camilo Cienfuegos, Hosmany.
Là conhecemos o artista plástico Ariel em seu ateliê, que pinta sobre papel que ele mesmo recicla.
Fomos ainda tomar um delicioso café no Café da Maria. Café que já foi uma das riquezas de Cuba.
Ah, e para lavar a alma, nada como um mergulho no gostoso Rio San Juan, ponto de encontro dos cubanos.
Desfrutamos ainda de um gostoso almoço campesino. Fomos com o motorista Rodolfo e o guia Leandro e no local fomos recepcionados pela guia Lissandra. Todos muito atenciosos, competentes e simpáticos, são da Cubatur, agência oficial do governo.
A noite, repetimos o jantar no restaurante Los Nardos, comida e bebida ótimas e preço muito bom.
No outro dia, destino a Santa Clara,Trinidad e Cienfuegos.
Vejam as imagens.





VI
Dia 04 de maio, saímos de Havana rumo a Cienfuegos com destino final à histórica Trinidad. Não menos histórica, Cienfuegos é uma bela província, um mini Havana, com muitas edificações históricas.
É o porto onde chega ou deveria chegar o petróleo. As falas do Trump não metem medo no povo, acostumado a lutar, mas é comentário geral. A situação é complicada, mas sentimos ânimo no povo.
Nesta cidade passeamos pelo centro e entramos no Teatro Tomas Terry, um dos maiores de Cuba.
Veja vídeo e fotos. Veja também estátua dedicada a Benny More. De acordo com o guia Leandro, “músico mais famoso de Cuba. Não estudou música, mas tinha música na cabeça”
Hasta!




VII
Na noite de 04 para 05 de maio aconteceu algo inusitado para nós na viagem. Em Trinidad, por volta das nove da noite acabou a energia no hotel Memories, onde estávamos. Um bom hotel beira mar, com tudo incluso no pacote que contratamos. A falta de energia era localizada e, pensando assim, fomos dormir às 23:30.
Por volta dos 35 minutos da madrugada, nosso grupo foi acordado com batidas nas portas. Era o nosso guia, Leandro, informando que a Cubatur, agência oficial de turismo do país, havia entrado em contato com ele para que fôssemos imediatamente deslocados para outro hotel, pois houve um problema com o gerador de energia do Memories e não havia previsão de quando seria restabelecida.
Caímos para cima. Fomos levados para um hotel resort cinco estrelas, o Meliã.
De manhã, a luz voltou ao hotel que estávamos, mas continuamos no Meliã. Bem melhor.
De dia, conhecemos o centro histórico de Trinidad, com casas antigas preservadas em razão de que a cidade era “ilhada” por mar e montanha, sem nenhuma estrada. Toda chegada e saída só era feita por mar. Informações do guia Leandro Lavrada.
Visitamos o Ateliê de Cerâmica do artista Daniel Santander alcántara, El Alfarero Casa Chichi (não se perca pelo nome) no qual tomamos conhecimento de belas peças.
Depois, fomos ao Bar La Canchánchara, que serve um delicioso drink a base de mel, limão, rum, água e gelo.
Em seguida, conhecemos o Palácio Cantero, construído de 1827 a 1830. O prédio, que já foi armazém e fábrica de cigarros, foi reformado de 1975 a 1980. (Vejam vídeo)
Fomos ainda num templo dedicado a yemanjá, no qual alguns de nós tomaram passes.
Nas ruas, muitos vendedores e vendedoras, pessoas que tentam vender algo ou ganhar alguns pesos ou dólares.
Comprei uma camisa goiabeira, sonho antigo. Informação do nosso guia Leandro: a peça de roupa chama-se goiabeira em razão de que no século 19 campesinos usam está camisa e andavam pelo campo colhendo goiabas. Como os frutos eram muitos, enchiam os quatro bolsos da mesma.
Bela Trinidad, ficará em nossos corações. Veja fotos e vídeos:















VIII
Começamos nosso dia, 06 de maio, indo de Trinidad para Santa Clara, uma das maiores e combativas províncias da Ilha.
No caminho, passamos pelo vilarejo de Manaca Iznaga. Lá, no restaurante que leva o nome do local, fomos recebidos por músicos e pelo, vejam só, o falcão Chicha.
Depois chegamos a Santa Clara, cidade de uma das principais províncias de Cuba. No local, conhecemos o Trem blindado, no qual aconteceu a maior ação dos revolucionários. Fomos recebidos pelo guia Juan Antônio.
O ataque ao trem foi uma fragorosa derrota sofrida pelo ditador Fulgêncio Batista, imposta pela revolução cubana, neste caso com tropas comandadas por Che Guevara e Camilo Cienfuegos.
Foram três dias de combate, de 28 de dezembro de 1958 a 01 de janeiro de 1959.
Com a vitória, Batista fugiu e a revolução venceu.
Em seguida, chegamos ao Mausoléu de Che Guevara. Santa Clara enaltece este comandante de uma forma esplendorosa.
Vejam vídeos do nosso dia em Santa Clara.














Che Guevara quando criança no Museu do Mausoléu dedicado ao revolucionário. Fotos abaixo também alusivas aos mausoléu.



Monumento com a carta deixada por Che quando da partida para a Bolívia, onde foi assassinado
IX
No 07 de maio, fizemos a Rota Hemingway. Fomos à casa e aos demais locais frequentados pelo autor de “O Velho e o Mar”.
A casa dista 12 km. de Havana, onde o Hemingway viveu por 21 anos e a deixou para o povo cubano. Estivemos sob a preciosa orientação da guia Mabel, formada em Comunicação Social.
Depois, lógico, seguimos a rota etílica do grande escritor, começando pela Lá Terraza de Cojimar, há 16 km de sua casa, na beira-mar, onde o mesmo comemorou o Prêmio Pulitzer de jornalismo. Nesta região, o “Papa”, como também era chamado, atracava seu barco Pilar.
Em seguida, voltamos para Havana, para almoçarmos na Bodeguita Del Médio, local em que Ernest Hemingway frequentava muito.
Depois, fomos beber um daiquiri no El Floridita.
Sobre estes dois locais, Hemingway dizia: “Mi mojito en La Bodeguita, mi daiquirí en El Floridita”. Era de prosa, mas rimava até no gosto por bares.
Vejam imagens deste belo dia em Cuba. Este seguindo os caminhos de Hemingway. Hasta!








Estas três banquetas foram presenteadas pelo bar El Floridita à Hemingway

Yusimi oferece a fruta, até o momento desconhecida pelo grupo: mamey

Barco Pilar, de Hemingway


Cães enterrados no terreno da casa. Black e Negrita foram enterrados por Hemingway. Linda e Neron por trabalhadores depois da morte do escritor









X
No 08 de maio, tivemos um dia livre, pero no mucho. Foi um dia cheio de atividades.
Pela manhã estivemos na lendária Casa das Américas, centro da literatura progressista mundial. Fomos para lá numa carruagem puxada pelo cavalo Bacardi, guiada pelo campeão cubano de hipismo Roberto Vila-Lobos.
Na Casa das Américas, entrevistamos Marcelo Durão, brigadista do MST em Cuba.
Em seguida, almoçamos com as cubanas brasileiras economista Dulce Maria e cientista política Maria Teresa, que trabalhou durante 13 anos na Embaixada do Brasil em Cuba.
Dia rico de afetividade, pois abraçamos e nos sentimos abraçados por dignas representantes da luta cubana.
Dia 09, voltamos ao Brasil, mas Cuba seguirá com a gente em nossos corações.
Como diz um cartaz na Casa das Américas, “Cuba no está sola”. Hasta!
Veja vídeos de outros dias e imagens do 08/05.



Final
De volta para o Aconchego.
Chegamos no Rio na madrugada de sábado para domingo, de 09 para 10 de maio.
Aqui, algumas fotos para apaziguar a saudade que já é latente.
Hasta!




“Em Cuba, dirigir não é só transporte — é engenharia, sobrevivência e história rodando juntas na mesma rua.”
Frase colhida na Internet.





Final mesmo.







