Por João Tavares, para o Bem Blogado –
O ex-juiz Sergio Moro e o ainda Procurador Deltan Dallagnol corriam contra o tempo e imaginavam-se canonizados antes de Irmã Dulce. Não se pode intuir maior pretensão do que essa para quem – caso de ambos – se coloca acima do bem e do mal ou como a própria encarnação do bem. Não há limites para mentes demoníacas.
Antes de continuar com as coisas divinas volvemos os pés à terra e vamos ouvir os universitários. Na falta deles chamemos o consultor de marketing político Fausto Silva – bem pago apresentador de TV nas horas vagas – que ensina que se tem que falar a linguagem do povo.
De toda a barafunda da Vaza-jato, duas informações da revista ‘Veja’ o povão entende:
A primeira delas: “Aha! Uhu! o Fachin é nosso”. Nem precisa explicar. “Geraldinos e Arquibaldos’ sabem do que se trata. É nosso… ninguém tasca… ninguém tira… podemos contar em todos os momentos, na saúde e na doença, na alegria e na tristeza… isso me lembra ‘conges’.
A segunda informação, mais discreta, mas nem um pouco sutil. Qual o apelido de Sergio Moro nas redes sociais do MP? Russo! Ganha duas mariolas e um cigarro Yolanda quem primeiro responder a razão desse apelido.
Aos mais jovens que me lêem – meu filho de 12 anos é a única certeza – é preciso voltar à Copa de 1958. O Brasil enfrentaria a poderosa União Soviética e o técnico Vicente Feola explicava aos jogadores brasileiros como penetrar na ‘cortina de ferro’ que era a defesa adversária para vazar (epa!) o lendário goleiro Yashin.
E o técnico, como um Tite do século passado, dizia passo a passo, em minuciosos detalhes, o que cada atleta brasileiro teria que fazer com a bola até meter o gol e sair para o abraço. Com a camisa nas costas, ajeitando as meias nas célebres pernas tortas, Garrincha, numa mistura de ingenuidade e gaiatice, perguntou ao treinador:
– Mas o senhor já combinou isso com os russos?
Retornemos ao jogo sujo. O apelido de Moro é uma confissão de culpa. É a prova cabal que a lava-jato faz de que a acusação e o juiz vestiam a mesma camisa. Nada podia ser feito sem o conhecimento, opinião e aprovação do ‘russo’. Moro, a quem cabia arbitrar o jogo, dava instruções, escalava jogadores, barrava outros e estabelecia táticas para minar a defesa adversária e planejava a estratégia para ganhar o campeonato.
Das trevas se fez a Luz! Moro e Dallagnol, que flanavam com suas asinhas de anjos, hoje descem aos infernos atingidos pelos raios da verdade. Do branco dos céus ao banco dos réus em um átimo. Mais cedo do que se podia prever já estão sendo julgados pela História. Em pouco tempo o Estado de Direito – com o Supremo e tudo – os coloca para responder perante o país pelo que fizeram. Com amplo direito de defesa, sem conduções ou prisões arbitrárias e muito menos delações premiadíssimas. Temos que resolver isso. Talkey!
João Tavares é jornalista (agradecendo a ‘Pagão’ pela involuntária inspiração para o título e texto)







